Pais iniciam busca por escola

Com a volta às aulas começa também a maratona de quem quer trocar o filho de colégio em 2011

Karina Toledo e Mariana Mandelli, O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2010 | 00h00

O começo do segundo semestre do ano letivo, amanhã, dá início também à maratona das famílias que desejam trocar seus filhos de escola em 2011. Nos colégios considerados os melhores de São Paulo, a disputa é tão grande que já há reserva de vagas para 2014. Mas, independentemente da concorrência, o processo de escolha costuma ser recheado de momentos angustiantes, pois são muitos os fatores que devem ser considerados.

"Cada escola tem as suas exigências, cada família, as suas características, e cada aluno, sua forma de aprender e suas preferências. É aconselhável buscar o equilíbrio entre esses pontos", afirma a neuropsicóloga da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Adriana Foz.

Se não existe a escola perfeita, com certeza existe aquela que mais se encaixa no perfil da criança. E vale lembrar que o que é bom para um filho, pode não valer para o outro. "Os pais precisam conversar entre si para definir suas prioridades. A escola não precisa oferecer tudo. Há atividades que podem ser feitas fora, como línguas ou esportes", afirma a educadora Raquel Caruso, da Equipe de Diagnóstico e Atendimento Clínico (Edac).

Raquel recomenda que os pais visitem os colégios nos momentos de entrada ou saída de alunos. "Assim, eles podem observar os outros pais e avaliar se são da mesma tribo, pois é a casa dessas pessoas que a criança vai frequentar", afirma. Outra dica é avaliar bem o quanto a família pode gastar. Além da mensalidade, é preciso considerar viagens, atividades extracurriculares e até os aniversários e passeios com os colegas. "Se os pais não podem arcar com nenhum extra, não sei se vale a pena", opina.

Um erro comum, afirmam os especialistas, é procurar uma escola que ofereça aquilo que os pais acham que falta em casa. Um exemplo do que pode causar conflito é escolher uma escola rígida, que imponha os limites que a criança não recebe da família. "A escola deve ser encarada como uma extensão de casa", diz Raquel.

Para a psicóloga Fernanda Gonçalves, o acolhimento que a instituição dá no dia a dia à criança e aos pais é o ponto-chave no processo de decisão, principalmente na educação infantil. "Nessa fase, a criança deixa pela primeira vez o contexto familiar e vai para um ambiente completamente novo."

Mãe de primeira viagem, a consultora de informática Ana Carla Oliveira não avaliou esse quesito quando escolheu um berçário para a filha Maria Clara, na época com 15 meses. "Escolhi o mais perto de casa, com um preço bom. Mas os funcionários não eram pessoas amorosas e nunca me deixavam entrar na escola", conta. Quando decidiu mudar, Ana Carla pediu indicação para conhecidos e visitou várias escolas na região, até que chegou a uma que preencheu todos os pontos que julgou importantes: área verde, bichinhos de estimação e um ambiente que lembra "casa de vó".

Disputa acirrada. Algumas das melhores escolas de São Paulo não têm mais vagas para 2011. No Colégio Vértice, o primeiro do ranking do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), dez vagas já foram preenchidas para daqui quatro anos. No Augusto Laranja há pré-reserva para 2012. "Para 2011 temos algumas séries esgotadas", conta a vice-diretora Lourdes Rosas.

Nesses colégios, a visita é agendada por e-mail ou telefone. No primeiro encontro, é exposta a proposta pedagógica numa conversa que pode durar duas horas. Para manifestar interesse, os pais preenchem uma ficha - alguns colégios cobram taxa de reserva. A escola pode pedir o histórico escolar e um teste de conhecimentos gerais. Novas vagas só são liberadas após a renovação de matrícula e há preferência para quem tem irmãos na escola ou é filho de ex-aluno. "Os pais devem se identificar com a nossa filosofia", diz Renata Americano, da Escola Viva, que enfatiza o conteúdo de artes e tem vagas esgotadas em algumas séries para 2011.

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