Países buscam acordo sobre espécies em perigo

Mais de 2 mil técnicos e cientistas de 160 países começam a discutir neste domingo, em Santiago, no Chile, o destino de espécies ameaçadas de extinção. É a reunião da Cites, convenção internacional que regula o comércio de espécies ameaçadas, que terá duas semanas de sessões, discutindo a situação de plantas e animais em perigo.Nos últimos três dias do encontro, será a vez de os ministros de meio ambiente, incluindo o brasileiro José Carlos Carvalho, se reunirem para uma deliberação final. A importância da Cites está na estimativa de que o tráfico internacional de plantas e animais movimenta cerca de US$ 18 bilhões anuais - em matéria de volume de negócios, fica atrás apenas das drogas e das armas.A convenção analisou, até hoje, mais de 30 mil espécies nos seus 29 anos de existência. Desde que foi fundada, em 1973, a entidade classifica as espécies ameaçadas em três listas ou apêndices. O apêndice 1 relaciona as plantas e animais que precisam de proteção total, cujo comércio é proibido.É o caso de peças de marfim, de qualquer parte do corpo de baleias azuis e araras azuis amazônicas, num total de aproximadamente 900 espécies - 600 vegetais e 300 animais.O apêndice 2 relaciona as espécies cujo comércio exige controle, tanto nos países exportadores como importadores. É onde está a maior parte das plantas e animais protegidos pela Cites, como as orquídeas da mata atlântica e o jacaré-açu. São mais de 4 mil espécies animais e 22 mil espécies vegetais nessa categoria.Por fim, o apêndice 3, com 278 espécies, gera relatórios de monitoramento. É onde está o mogno brasileiro (Swetenya macrophilla king), cuja moratória de exploração comercial, decretada pelo governo, não tem funcionado.Para o secretário-geral da entidade, o holandês Willem Wijnstekers, a reunião de Santiago será dominada por duas propostas de passagem do Apêndice 1 para o Apêndice 2. Uma propõe a volta do comércio de marfim do elefante africano, feita por Botswana, Namíbia e Zimbábue. Ela é apoiada por África do Sul e Zâmbia, mas tem a oposição do Quênia e da Índia.A outra proposta polêmica vem do Japão, que quer a volta do comércio de baleias Minke e de Bryde, do Pacífico, com o argumento de que há populações grandes o suficiente para sustentar a caça comercial. O Japão já caça essas e outras espécies de baleia sob o argumento de "caça científica".

Agencia Estado,

01 de novembro de 2002 | 22h42

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