Países reconhecem longo caminho no combate ao aquecimento

Representantes de 20 países reunidos no Japão não chegam a acordo sobre diretrizes pós Protocolo de Kyoto

EFE

16 de março de 2008 | 11h48

A cúpula do G20 que reuniu no Japão representantes dos países que mais emitem gases poluentes à atmosfera deixou claro neste domingo, 16, que ainda falta muito para chegar aos acordos necessários a fim de combater a mudança climática.  Cerca de 60 ministros e representantes de aproximadamente 20 países e instituições internacionais que participaram da reunião de dois dias apresentaram diferentes visões sobre como combater a mudança climática na era pós Protocolo de Kyoto, mas todos coincidiram em que é um assunto de máxima urgência. Durante a conferência deste fim de semana em Chiba, no Japão, a questão mais polêmica foi o estabelecimento de uma cota de emissões a longo prazo vinculativa para os países desenvolvidos, segundo a agência "Kyodo". Esta postura conta com o apoio dos membros da União Européia (UE), mas encontra a oposição de alguns dos países mais industrializados, como os Estados Unidos, que acham que não deve ser vinculativa.  A União Européia propõe a redução obrigatória pela metade das emissões de gases poluentes à atmosfera até 2050, a respeito dos níveis registrados em 1990. "Achamos que os países mais desenvolvidos devem, sem dúvida, ter uma cota de emissões de CO2 de cumprimento obrigatório, porque já se mostrou que a vontade não é suficiente se não existir obrigação", disse o secretário-geral para Prevenção da Poluição e da Mudança Climática do Ministério do Meio Ambiente da Espanha, Arturo Gonzalo.  Durante a cúpula, alguns países em desenvolvimento como Brasil, África do Sul e Indonésia manifestaram seu desacordo com o estabelecimento de cotas vinculativas, ao considerar injusta essa possibilidade. Algumas das economias emergentes também mostraram divergência com esta medida. O México, que propôs a criação de um fundo multilateral para projetos nacionais mais sustentáveis, disse que está de acordo com o estabelecimento de objetivos sobre emissões poluentes a longo prazo, mas não defende que seja marcado um limite legal para os países. "Não serve de nada obrigar que alguns países que emitem muito menos que outros se comprometam a uma cota concreta, quando de que precisam são fundos para tornar suas infra-estruturas mais sustentáveis", disse o subsecretário de Gestão para a Proteção Ambiental do governo do México, Mauricio Limón Aguirre. Durante o fim de semana, foram propostas também alternativas intermediárias, como a do Japão, que pede que a redução de emissões seja estabelecida por setores industriais, em vez de por países, segundo informações da "Kyodo". Todos os participantes se mostraram dispostos a dar um passo adiante em relação ao Protocolo de Kyoto, pois, como disse o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, "não estamos mais falando de um ajuste, nos referimos a uma revolução". Destacaram também a importância de que continuar organizando reuniões como esta até que se chegue a um acordo concreto que substitua o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.Embora tenha ficado estabelecido que foi a última cúpula do diálogo de Gleneagles, o Japão anunciou que proporá durante a reunião do G8 (os sete países mais desenvolvidos e a Rússia) que continue o processo de diálogo entre os países que mais emitem gases poluentes. As questões relativas às energias limpas e ao desenvolvimento sustentável serão um dos temas centrais da cúpula do G8, que será realizada entre 7 e 9 de julho na ilha de Hokkaido, no norte do Japão.

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