Paleontólogos descobrem tecido mole de osso de dinossauro

Desenterrar fósseis de um Tyrannosaurus rex já faria qualquer paleontólogo feliz. Encontrar sem querer, em seu interior, tecido mole como vasos sanguíneos e talvez células é como receber um prêmio inesperado. "Não podia acreditar no que via até que realizarmos 17 análises", conta a descobridora do material, a paleontóloga Mary Schweitzer, da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.O estudo do tecido mole pode ajudar a responder muitas questões ainda abertas sobre os dinossauros. O sangue era frio, como o dos répteis, ou quente, como o dos mamíferos? Qual é sua relação com os animais modernos? "Se pudemos isolar certas proteínas, então talvez possamos responder a questão da fisiologia dos dinossauros", afirma Schweitzer, que detalha a descoberta amanhã na revista especializada Science (www.sciencemag.org) com a ajuda de três colegas. O T. rex, encontrado na formação de Hell Creek, nas Montanhas Rochosas, é datado em cerca de 70 milhões e tinha de 1,5 a dois anos de idade quando morreu. O tecido só foi notado quando a equipe precisou quebrar o fóssil para retirá-lo do campo. Quando chegaram no laboratório e removeram quimicamente os minerais duros do interior, observaram o que pareciam ser vasos sanguíneos, células ósseas e talvez até células do sangue. "Eles eram transparentes, flexíveis", e, em alguns casos, o conteúdo pôde ser espremido, conta a paleontóloga. "Microestruturas que parecem células estão preservadas." Tal flexibilidade e transparência só havia sido observada em penas, pêlo e fetos dentro de ovos preservados - nunca como tecido mole. Sempre que algum material não-fossilizado de dinossauros é encontrado, cresce a expectativa de se obter uma amostra de seu DNA para, futuramente, criar tecidos dos grandes répteis a partir dele. Porém, por enquanto, é apenas isso: uma expectativa. Para o paleontólogo Lawrence Witmer, da Universidade de Ohio, "se achamos tecidos não fossilizados, deveríamos conseguir extrair o DNA". Schweitzer é mais cautelosa: "Estamos realizando agora muitos exames no laboratório que parecem promissores, mas ainda não sabemos." Tentativas já foram realizadas antes, mas o material genético foi modificado com o tempo. Em 1997, cientistas americanos analisaram rastros de sangue de um T. rex da mesma formação americana, sem comprovar a presença de DNA.

Agencia Estado,

24 de março de 2005 | 19h46

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