Palestras explicam cobrança pelo uso da água

As empresas que utilizam a água do Paraíba do Sul, rio que passa pelos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, estão dispostas a pagar pelo uso da água porque sabem que a escassez pode trazer prejuízos maiores do que os custos da cobrança. A afirmação é do Instituto de Engenharia (IE) que está promovendo cursos no Estado de São Paulo para grandes indústrias e companhias de saneamento sobre técnicas do reuso da água. Hoje, em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, um encontro promovido pelo IE reuniu cerca de 50 representantes de indústrias e companhias de saneamento básico. A cobrança, instituída pelo Comitê da Bacia do Paraíba do Sul e pela Agência Nacional de Águas (ANA) deve ser iniciada no próximo mês de outubro.O engenheiro José Eduardo Cavalcanti, coordenador da Divisão de Engenharia Sanitária e Ambiental do Instituto, diz que o pagamento pelo uso da água do Paraíba do Sul não está preocupando o setor industrial, já que os empresários sabem da necessidade de investir para a garantia da produção. "Os empresários têm consciência de que a água só continuará existindo se houver investimentos neste recurso, mas todos querem garantia de que o dinheiro será revertido para o Paraíba do Sul", afirmou Cavalcanti. Segundo o IE, as empresas usuárias da água do Paraíba do Sul estudam formas de minimizar os custos da cobrança, que deve ser de R$ 0,08 por metro cúbico. Atualmente, empresas e consumidores pagam pelo serviço de coleta, transporte e tratamento para as companhias de saneamento. A partir de outubro, a cobrança será pela retirada da água, pelo consumo e pela devolução. As indústrias que despejarem dejetos nos rios e as concessionárias de saneamento que deixarem de tratar as redes de esgoto terão tarifas mais altas. "Quanto maior a qualidade da água devolvida pelas empresas, menor o custo pelo seu uso", explicou Cavalcanti.

Agencia Estado,

11 de junho de 2002 | 18h24

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.