Pandemia de H5 custaria mais de 2% do PIB, diz Bird

O custo econômico de uma possível pandemia global da gripe aviária seria muito superior ao provocado em 2003 ao sudeste asiático pela Síndrome Respiratória Aguda Severa (Sars), que deixou 800 mortos e uma perda do Produto Interno Bruto da região de 2%, afirmou nesta segunda-feira o Banco Mundial (Bird)."Uma perda de 2% do PIB global durante uma pandemia de gripe representaria cerca de US$ 200 bilhões em um único trimestre e US$ 800 bilhões em um ano", afirmou Milan Brahmbhatt, economista-chefe do Bird para a Ásia Oriental e o Pacífico.Brahmbhatt é um dos mais de 500 especialistas que participam da conferência que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras instituições internacionais realizam em Genebra para traçar uma estratégia global de luta contra uma possível pandemia global da gripe aviária em pessoas.Os dirigentes das diferentes instituições internacionais já advertiram que um surto epidêmico global desse tipo de gripe, que até agora se dá entre aves e em humanos, mas sem casos de contaminação entre pessoas, terá enormes custos econômicos, políticos e sociais.Impacto sobre serviçosO especialista do Banco Mundial afirmou que o impacto mais imediato de uma pandemia de gripe aviária em humanos "viria, não das mortes ou infecções, mas dos esforços descoordenados dos indivíduos para evitar a contaminação".Brahmbhatt lembrou que isso já ocorreu quando aconteceu o surto da Sars há dois anos e que produziu "um forte impacto na demanda do setor de serviços, como no turismo, nos transportes, nas vendas a varejo e nos hotéis e restaurantes, além de um forte absenteísmo laboral e problemas no processo de produção".Por enquanto, o sacrifício de aves já teve um impacto nas economias regionais avaliado em torno de 0,6% do PIB em países como Vietnã e Tailândia e de 2% em outros como Filipinas, embora a média gire em torno de 1%."O impacto nas economias desses países foi estimado em mais de US$ 10 bilhões. Só no Sudeste Asiático em 2004 previa-se que um foco epidêmico na região reduziria seu PIB em 1,5%, além de que 200 milhões de produtores teriam afetados seu modo de vida", afirmou Samuel Jutzi, diretor da divisão de produção anual da Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO).Projeção de mortesBrahmbhatt usou em seu discurso o cenário já criado pela OMS e que se baseia no modelo do impacto global que a epidemia de gripe teve em 1968.Essa projeção levada a um cenário de pandemia global de gripe aviária em humanos produziria entre 2 milhões e 7,4 milhões de vítimas mortais, embora também sejam contemplados outros mais graves, no qual, se o vírus causasse um impacto similar ao da gripe de 1918, os números de mortos seriam mais elevados, disse o especialista."Ambos os cenários são cientificamente válidos", destacou o economista que disse que "se transferirmos a taxa de mortalidade associada à gripe de 1918 à população atual, nos Estados Unidos poderia haver 1,7 milhão de mortes e, em nível global, entre 180 e 360 milhões".   leia mais sobre gripe aviária

Agencia Estado,

07 de novembro de 2005 | 13h35

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