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Papa adverte contra liberdade absoluta na Missa Crismal

Ele disse que enviará óleos benzidos a Áquila e que valor recolhido na missa será doado aos cristães em Gaza

Efe,

09 de abril de 2009 | 11h58

O papa Bento XVI celebrou nesta quinta-feira, 9, a tradicional Missa Crismal, durante a qual abençoou os santos óleos e em cuja homilia advertiu contra a visão que o filósofo alemão Friedrich Nietzsche tinha da liberdade absoluta do homem, que, segundo ele, "leva à soberba destrutiva e à violência".

 

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A Missa Crismal marca o começo do tríduo pascal, centro e ápice do Ano Litúrgico, e celebra a Quinta-Feira Santa, dia em que se lembra a instituição do sacramento da ordem sacerdotal por Jesus Cristo durante a Última Ceia, segundo a tradição cristã.

 

Assim, durante o rito, realizado no começo da manhã na Basílica de São Pedro do Vaticano, os sacerdotes renovaram as promessas sacerdotais (pobreza, castidade e obediência), e Bento XVI destacou, em sua homilia, o que significa ser sacerdote e suas obrigações.

 

Segundo o papa, entregar-se a Deus significa representar os outros, um modo de unificação com Cristo e a renúncia a impor a vontade própria. O pontífice acrescentou que o sacerdócio não significa uma "segregação" e que os sacerdotes devem saber dizer "não" às opiniões nas quais predomine a mentira.

 

Sobre isso, acrescentou que o pensamento se molda com tudo o que se diz e se referiu ao pensamento do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, que, segundo ele, "zombou da humildade e da obediência e as considerou como virtudes servis, que reprimem os homens. Colocou em seu lugar a dignidade e a liberdade absoluta do homem".

 

"Pois bem, existe uma caricatura de uma humildade e de uma submissão equivocada que não queremos imitar, mas existe também uma soberba destrutiva e uma jactância que desagregam qualquer comunidade e acabam na violência", disse.

 

Bento XVI convidou os sacerdotes a aprender com Cristo a "reta humildade". Durante a missa, Bento XVI abençoou o óleo dos catecúmenos, o dos enfermos e o do santo crisma, que foram apresentados em três grandes jarras de prata.

 

Itália e Gaza

 

Estes óleos são benzidos na Quinta-Feira Santa pelos bispos e são utilizados para ungir aos que se batizam, os que se confirmam e para a ordenação sacerdotal. O rito acontece em todas as catedrais do mundo. Bento XVI anunciou que parte dos óleos benzidos por ele será enviada a Áquila, cidade italiana atingida pelo recente terremoto que já deixou 279 mortos e destruiu casas e igrejas.

 

O papa disse que nesta quinta o arcebispo de Áquila, Giuseppe Molinari, não pôde se reunir com os fiéis para celebrar a Missa Crismal, devido aos danos causados pelo terremoto à catedral, por isso lhe enviará os óleos.

 

Bento XVI irá esta tarde à Basílica de São João de Latrão, catedral de Roma, para celebrar a missa da Última Ceia, na qual tradicionalmente são lavados os pés de 12 presbíteros. O papa determinou que o dinheiro recolhido durante a missa seja destinado à pequena comunidade católica do território palestino da Faixa de Gaza.

 

Na Sexta-Feira Santa, o papa irá novamente à Basílica de São Pedro para oficiar, à tarde, a celebração da Paixão de Cristo e, à noite, irá ao Coliseu de Roma para presidir a tradicional via-sacra. Na noite do Sábado de Aleluia, Bento XVI realizará na Basílica de São Pedro a Vigília Pascal, a noite na qual a Igreja permanece à espera da ressurreição de Cristo. No domingo, o pontífice presidirá na Praça de São Pedro a Missa da Ressurreição, após a qual pronunciará a tradicional mensagem pascal e dará a bênção "Urbi et Orbi", à cidade de Roma e a todo o mundo.

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