Papa apela por paz e fim da tensão nas Coreias em mensagem de Páscoa

Em sua primeira homilia de Páscoa, o papa Francisco fez neste domingo um apelo à paz no mundo e por uma solução diplomática para a crise na Península Coreana.

Reuters

31 Março 2013 | 10h25

Em sua primeira mensagem "Urbi et Orbi" (para a cidade e o mundo), Francisco também pediu a paz entre israelenses e palestinos, o fim da guerra civil na Síria e soluções políticas para os conflitos em vários países africanos.

O antigo cardeal argentino Jorge Bergoglio fez da defesa da natureza uma das primeiras marcas de seu pontificado. Na benção da Páscoa, ele também condenou a "perversa exploração dos recursos naturais" e fez um chamado para que todos sejam "guardiões" da criação.

Francisco deu sua mensagem da sacada da Basílica de São Pedro --o mesmo local onde ele foi apresentado ao mundo após ser eleito papa em 13 de março-- para uma multidão estimada pelo Vaticano em ao menos 250 mil pessoas.

"Paz na Ásia, acima de tudo na Península Coreana: que os desentendimentos possam ser superados e que um renovado espírito de reconciliação cresça", disse ele, falando em italiano.

No sábado, a Coreia do Norte anunciou estar entrando em "estado de Guerra" com a Coreia do Sul. A tensão é grande na região desde que o novo e jovem líder do Norte, Kim Jong-un, ordenou um terceiro teste de armas nucleares, em fevereiro, violando sanções impostas pela ONU ao país e ignorando advertências do único aliado norte-coreano de peso, a China, que o alertou a não fazer isso.

Francisco impôs um estilo mais simples e pessoal ao papado. Ele disse em sua mensagem de Páscoa que a fé pode ajudar as pessoas a transformarem suas vidas por deixar "florescerem aqueles lugares desertos em nossos corações."

GUARDIÕES DA CRIAÇÃO

"Quantos desertos, mesmo no mundo de hoje, os seres humanos têm de atravessar! Acima de tudo, o deserto interior, quando não temos nenhum amor por Deus ou pelo vizinho, quando deixamos de perceber que somos os guardiões de tudo que o criador nos deu e continua a nos dar", disse ele.

Pouco antes, na missa na praça enfeitada por mais de 40 mil plantas e flores, o papa usou vestes brancas relativamente simples, ao contrário do que fazia seu predecessor, Bento 16, que preferia trajes mais adornados.

A enorme multidão se espalhou além da Praça São Pedro, por ruas vizinhas, e incluía muitas pessoas que foram ao local para ver o papa que esperam possa dar um novo vigor a uma Igreja afetada por escândalos envolvendo abuso sexual de crianças e acusações de corrupção.

"É um novo papa e um novo começo", disse Tina Hughes, de 67 anos, da cidade de Nottingham, na Inglaterra, que foi a Roma com a família para ver o papa. "Acho que ele traz algo especial. Ele se conecta com o povo. Sinto-me bem com ele."

Francisco escolheu esse nome em homenagem a São Francisco de Assis, que é reverenciado como um símbolo da austeridade e da valorização do mundo natural.

"A paz no mundo todo, ainda dividido pela ganância do ganho fácil, ferido pelo egoísmo que ameaça a vida humana e a família, o egoísmo que prossegue no tráfico de seres humanos, a forma mais extensa da escravidão no século 21", disse o papa.

"Paz para o mundo inteiro, assolado pela violência ligada ao tráfico de drogas e pela exploração perversa dos recursos naturais! Paz a esta nossa Terra! Que Jesus ressuscitado traga conforto para as vítimas de desastres naturais e nos torne guardiões responsáveis ??da criação."

(Por Philip Pullella)

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