Papa ataca escândalo de vazamento e apoia auxiliares

O papa Bento 16 denunciou de maneira irritada nesta quarta-feira o que chamou de falsa cobertura da mídia de um escândalo de vazamento que agitou o Vaticano e expressou total confiança nos auxiliares próximos que estão na linha de fogo durante a pior crise de seu papado.

BARRY MOODY, REUTERS

30 Maio 2012 | 14h57

Em um discurso extraordinariamente brusco no final de uma audiência geral na Praça de São Pedro, onde ele se referiu várias vezes ao sofrimento pessoal, o pontífice de 85 anos disse que acontecimentos recentes haviam causado tristeza em seu coração.

"Sugestões se multiplicaram, amplificadas por alguns meios de comunicação que são totalmente sem fundamento e que foram muito além dos fatos, oferecendo uma imagem da Santa Sé que não corresponde à realidade", disse Bento sobre o escândalo que levou à prisão de seu mordomo por roubar documentos secretos.

Referindo-se a assessores sêniores do Vaticano, que os meios de comunicação italianos acusam de travar uma guerra de vazamento como parte de uma luta interna pelo poder, Bento acrescentou:

"Eu gostaria de renovar a minha confiança e o meu encorajamento aos meus colaboradores mais próximos e todos aqueles que a cada dia, com fé, espírito de sacrifício e em silêncio me ajudam a realizar meu ministério."

A primeira referência pública do papa ao escândalo destacou a dor que ele está sentindo por causa de uma série de vazamentos e alegações de corrupção generalizada do Vaticano.

Essa dor também se refletiu em seu discurso principal para milhares de peregrinos reunidos na luz do sol brilhante na frente da basílica de São Pedro, onde ele falou longamente sobre as provações, tribulações e sofrimentos causados até mesmo por aqueles que estão mais perto de você.

"Nossa vida e nosso caminho cristão são muitas vezes marcados por dificuldades, incompreensões e sofrimentos", disse ele.

O pontífice afirmou aos peregrinos que todas as pessoas devem buscar consolo na fé e perseverar em face de "conflitos nas relações humanas, muitas vezes de dentro da própria família."

O Vaticano denunciou o vazamento de documentos do escritório do pontífice como um ataque brutal pessoal. Um poderoso grupo de cardeais está caçando outros dentro da Santa Sé supostamente envolvidos no escândalo.

A prisão do mordomo Paolo Gabriele, 46, foi o clímax de uma semana passada difícil para o pontífice, que também incluiu a demissão abrupta do chefe do banco do Vaticano e publicação de um livro cheio de vazamentos com alegações de conspirações entre cardeais rivais, os "príncipes da igreja".

Em uma longa passagem do seu discurso dedicado à epístola de São Paulo aos Coríntios, Bento repetidamente se referiu a tribulações e dificuldades, dizendo: "Cristo ... torna-nos capazes de nos consolar de todo tipo de aflição."

Na terça-feira, a terceira figura mais sênior da Igreja Católica Romana disse em uma entrevista no jornal do Vaticano L'Osservatore Romano que a publicação de documentos vazados em um recente livro escrito pelo jornalista italiano Gianluigi Nuzzi era um crime.

Foi a primeira vez que o jornal oficial do Vaticano informou sobre a detenção do mordomo do papa há uma semana e refletiu a raiva na Santa Sé sobre o que é visto como uma traição a Bento.

Documentos que vazaram à imprensa durante vários meses alegam corrupção nas vastas transações financeiras da Igreja com empresas italianas, incluindo os contratos de infraestrutura concedidos a preços inflacionados.

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