Papa Bento XVI diz que Guarda Suíça é uma 'escola de vida'

O pontífice ainda pediu aos novos alabardeiros que sejam 'abertos, simples e leais'

Efe

05 de maio de 2008 | 18h20

O papa Bento XVI agradeceu nesta segunda-feira, 5, à Guarda Suíça pela "generosidade e dedicação" com que presta seus serviços e pediu aos novos alabardeiros que sejam "abertos, simples e leais", além de afirmar que este corpo pontifício é "uma escola de vida." As declarações de Bento XVI foram proferidas durante discurso feito nesta segunda-feira, 5, no Palácio Apostólico para os membros do "Exército do papa", o menor do mundo, por ocasião do juramento de 33 novos recrutas que vai acontecer na terça-feira, 6. O bispo de Roma lembrou que há dois anos este corpo pontifício celebrou seus 500 anos e afirmou que ao longo destes cinco séculos permaneceu intacto o espírito de fé que incentiva os jovens suíços a abandonarem sua terra para servir ao papa em Roma. "Vossos históricos uniformes falam aos fiéis e aos turistas de todo o mundo que não muda o vosso compromisso de servir a Deus e a servir ao servo de seus servos", declarou o pontífice. O papa encorajou os novos alabardeiros a serem "abertos, simples e leais" e que saibam apreciar "também as diferenças de personalidade e caráter" que há entre eles, "já que sob o uniforme cada um é uma pessoa." Para Bento XVI, a Guarda Suíça é uma "escola de vida" e, durante a experiência no Vaticano, "muitos puderam descobrir a própria vocação: o casamento cristão, o sacerdócio e a vida consagrada." "Agradeço a todos pela generosidade e dedicação com que trabalham a serviço do papa", disse. A Guarda Suíça é composto por 110 membros, todos homens. Foi criada há cinco séculos, quando o papa Júlio II, em 1506, negociou com alguns cantões helvécios o envio de voluntários para formar um contingente estável em Roma para fazer sua segurança. Esta força foi dizimada em 1527 após o saque de Roma, quando dezoito mil soldados do exército Imperial de Carlos V tomaram de assalto à cidade. O pontífice se salvou ao se refugiar no castelo de Santo Ângelo, mas 147 guardas morreram tentando defendê-lo. A Guarda voltou a ser formada em 1548, por Paulo III, com um efetivo de 225 homens. Dissolvida por Pio VI em 1798 antes de ele ser forçado a ir para o exílio por Napoleão Bonaparte, a Guarda Suíça voltou a ser formada em 1801, por Pio VII, mas com apenas 64 soldados. Leão XII aumentou o efetivo para 200, em 1824. Os soldados da guarda do papa devem ser oriundos de algum cantão suíço e devem ser católicos e solteiros. No momento de sua incorporação ao serviço têm que ter entre 20 e 30 anos e medir mais de 1,74 metro. A duração mínima do serviço é de dois anos e o salário mensal que recebem é de cerca de mil euros, fora despesas como alojamento, manutenção e assistência médica, que são por conta da Santa Sé. Responsáveis pela segurança do pontífice e pela vigilância da Cidade do Vaticano, o uniforme multicor que vestem nas ocasiões de gala remetem aos tempos de Michelangelo, embora tenha sido criado em 1915. A imagem da Guarda Suíça foi abalada em 1998 quando o cabo Cedric Tornay, de 23 anos, assassinou o então comandante Alois Estermann e a sua mulher antes de se suicidar. Como tradição, todo dia seis de maio o Vaticano lembra o "Saque de Roma" e realiza o juramento dos novos recrutas.

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