Papa Bento XVI era doador de órgãos quando cardeal

Posição contraria declaração que 'morte cerebral' não pode mais ser parâmetro para definir o fim de uma vida

Ansa

03 de setembro de 2008 | 15h30

No período em que ainda era cardeal, o papa Bento XVI havia se inscrito na Associação Italiana para a Doação de Órgãos (Aido), declarando-se disponível, informou nesta quarta-feira, 3, o site da própria associação. Veja também: Para Vaticano, morte cerebral não caracteriza mais a morte Aborto de anencéfalos é liberado em 54% dos casos A gestação do feto anencéfalo STF deve aprovar aborto de anencéfalo por 11 a 0, diz ministro O editorial 'Os Sinais da Morte' (em italiano) "É permitido aderir, espontaneamente e em pleno conhecimento, à cultura dos transplantes e da doação de órgãos. Eu me inscrevi há anos na associação e levo sempre comigo este documento, onde está escrito que estou disponível para oferecer meus órgãos a quem necessitar deles. É um ato de amor", é a frase atribuída a Bento XVI sobre o assunto. Aderir à associação dos doadores de órgãos implica, mesmo que não explicitamente, em um reconhecimento da definição de morte cerebral, condição básica para que o transplante possa ocorrer. O Vaticano, no entanto, defendeu na terça-feira, 2, em um editorial no jornal oficial Osservatore Romano que a declaração de "morte cerebral" não pode mais ser parâmetro para definir o fim de uma vida, e deve ser revista em virtude dos novos avanços científicos. Segundo o jornal: "a idéia de que a pessoa deixe de existir quando o cérebro pára de funcionar considera a existência do ser levando em conta somente o funcionamento cerebral. Este fato entra em contradição com a concepção católica da existência e, dessa forma, com as orientações da Igreja no que se refere aos casos de coma profundo".

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