Papa começa na Jordânia delicada viagem pelo Oriente Médio

O papa Francisco chega à Jordânia no sábado para iniciar uma intensa viagem de três dias pelo Oriente Médio, levando esperança à decrescente população cristã e um apelo aos membros de todas as religiões para trabalharem juntos pela paz.

SULEIMAN AL-KHALIDI, Reuters

23 Maio 2014 | 21h54

"Esta não é uma visita protocolar", disse o patriarca Louis Sako, principal autoridade da Igreja no Iraque, a repórteres em Amã na véspera da visita.

“Este papa sente a dor dos cristãos, e a sua chegada neste momento, quando povos desta região estão passando por conflitos, matanças e destruição, é uma mensagem de convívio. É um apelo para que todos da região tenham a coragem de rever suas posições, sair desta crise sufocante”, disse.

A população cristã vem diminuindo de forma constante em todo o Oriente Médio há gerações. As recentes revoltas árabes, a guerra civil na Síria e o crescimento do Islã radical só estão acelerando esse processo.

Em Israel e na Cisjordânia ocupada, mais cristãos palestinos pensam em partir, culpando Israel por reduzir as suas perspectivas econômicas e limitar a sua liberdade de movimento.

“Estamos esperando impacientemente por uma palavra do papa que fortaleça a moral. As pessoas nas ruas perguntam que mensagem o papa irá trazer”, disse Sako.

É a primeira visita de Francisco, líder da comunidade de 1,2 bilhão de católicos do mundo, à região.

Depois de se encontrar com o rei Abdullah e celebrar uma missa em um estádio de Amã, o pontífice irá se reunir com refugiados da Síria e do Iraque na Betânia, às margens do rio Jordão, o local onde Jesus foi batizado, de acordo com a tradição.

Na manhã de domingo, Francisco irá de helicóptero a Belém, uma visita de seis horas ao que o programa oficial do Vaticano chama de “Estado da Palestina”, uma terminologia que Israel rejeita.

Em 2012, o Vaticano revoltou Israel ao apoiar uma votação na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas para dar aos palestinos um status de reconhecimento como Estado. Israel argumenta que tal mudança só pode ocorrer por meio de negociações.

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