Papa conclama padres a ajudarem os pobres e evitarem o carreirismo

Iniciando a intensa programação de eventos da Páscoa, o papa Francisco conclamou na quinta-feira os padres católicos a se dedicarem a ajudar os pobres e sofredores, ao invés de se preocuparem em fazer carreira como "gestores" da Igreja.

Reuters

28 Março 2013 | 10h01

A homilia de Francisco, em sua primeira cerimônia da Quinta-Feira Santa como líder máximo dos católicos, reforça a postura adotada por ele desde sua surpreendente eleição como papa, há duas semanas --a de que a Igreja deve se aproximar dos pobres.

"Precisamos sair, então, a fim de experimentar nossa própria unção (como padres)... até as periferias, onde há sofrimento, derramamento de sangue, a cegueira que anseia por visão, e prisioneiros servos de muitos senhores maus", disse ele em missa na basílica de São Pedro.

O argentino de 76 anos assumiu a Igreja Católica após o escândalo resultante do vazamento de documentos que mostravam casos de corrupção e disputas internas na Cúria Romana (a burocracia vaticana).

Na missa, que marca o início de quatro dias de frenética atividade até a Páscoa, Francisco disse que os padres não devem se acomodar na "introspecção". "Aqueles que não saem por si mesmos, ao invés de serem mediadores, gradualmente se tornam intermediários, gestores. Sabemos a diferença: o intermediário, o gestor não põe sua própria pele e seu próprio coração na linha de frente, nunca escuta uma palavra calorosa e compungida de agradecimento".

Dirigindo-se aos cerca de 1.600 padres de Roma presentes à missa, o papa disse que os que não vivem em humildade, perto do povo, correm o risco de se tornar "colecionadores de antiguidades ou novidades - ao invés de serem pastores vivendo com ‘o cheiro das ovelhas'".

Depois de ser eleito papa, o cardeal Jorge Bergoglio assumiu o inédito nome de Francisco como homenagem a São Francisco de Assis, associado à austeridade e à benemerência. Em outras atitudes, ele já deixou claro que pretende tornar o papado e a Igreja mais humildes.

Ainda na quinta-feira, ele lavará e beijará os pés de 12 menores infratores em um centro de detenção nos arredores de Roma, onde decidiu celebrar a cerimônia de Lavapés --repetindo o gesto de Jesus com seus apóstolos na véspera da sua morte.

Desde que se tem lembrança, todos os papas celebraram o Lavapés nas basílicas de São Pedro ou São João Latrão, em Roma.

Mais conteúdo sobre:
RELIGIAOPAPAPOBRES*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.