Papa defende papel da religião na política e fala a muçulmanos

Posição de Bento XVI quanto às políticas públicas enfureceu alguns dos franceses que defendem o secularismo

AP

12 de setembro de 2008 | 18h52

O papa Bento XVI denunciou o fundamentalismo e o fanatismo ao falar a figuras importantes, incluindo líderes muçulmanos, no início da sua peregrinação pela França nesta sexta-feira, 12, em uma viagem que inflamou o debate em Paris sobre a influência da religião nos assuntos políticos.   Veja também:  Em Paris, papa pede que França cultive Deus na sociedade  Bento XVI é recebido por Sarkozy em visita à França  Visita do papa a Lourdes será transmitida pela internet  Papa rezará pela paz mundial perante Nossa Senhora de Lourdes   Foto: AP   Em declarações em separado, incluído um discurso ao presidente da França, Nicolas Sarkozy, Bento XVI encorajou o papel da religião na modelagem de políticas públicas, uma posição que enfureceu alguns dos franceses que defendem o secularismo.   O encontro do papa com figuras do mundo da cultura islâmica coincidiu com os dois anos do seu discurso feito em Regensburg, na Alemanha, no qual ele fez comentários sobre a relação do islã com a violência, citando frases de um imperador bizantino do século XIV.   Vários líderes da comunidade islâmica na França estavam entre os 600 convidados para escutar o discurso do papa no College des Bernadins, um prédio que abrigou um monastério na Idade Média.   Foto: AP   A viagem de quatro dias do pontífice pela França é sua primeira ao país desde que se tornou papa, em 2005. O porta-voz de Bento XVI, Federico Lombardi, disse que os muçulmanos foram convidados para o discurso como um dos diversos grupos religiosos com os quais o papa se reuniu nesta sexta-feira, 12, e que o aniversário de Regensburg é uma coincidência.   Bento XVI também teve rápidos encontros com líderes da comunidade judaica em Paris. Ele disse aos judeus que a Igreja condena todas as formas de anti-semitismo e elogiou a contribuição judaica à cultura, artes e política francesas.   O pontífice desejou aos líderes muçulmanos seus melhores votos pelo Ramadã, mas não fez nenhuma referência ao discurso de Regensburg. Bento XVI disse já disse se arrepender de qualquer ofensa que o discurso possa ter causado no mundo islâmico.   Foto: AP   Ao final do encontro, Bento XVI segurou as mãos dos líderes muçulmanos e os cumprimentou um por um.   Seu discurso explorou dilemas na sociedade atual, especificamente os confrontos entre o que chamou de "os pólos da arbitrariedade subjetiva e do fundamentalismo fanático."   "Seria um desastre se a cultura européia de hoje conseguisse apenas conceber a liberdade como a falta de obrigação, que inevitavelmente agiria nas mãos de fanáticos e arbitrários", disse Bento XVI.   O papa também alertou que banir qualquer tipo de questão que envolva Deus para a classe as informações não-científicas seria um "desastre para a humanidade."   Foto: AP   "O que deu a fundação para a cultura da Europa - a busca por Deus e a disponibilidade para ouvi-lo - permanece hoje como a base de qualquer cultura genuína", disse.   Os líderes muçulmanos disseram ter ficado impressionados pelo discurso altamente intelectual do papa, mas disseram também esperar ouvir respostas concretas para a divisão entre as comunidades cristã e muçulmana.   "Nós teríamos gostado também que ele tivesse dado alguns sinais sobre o dialogo cristão-muçulmano, sobre a missão da Igreja e sobre os valores que compartilhamos", disse Dalil Boubakeur, da mesquita de Paris.   Mais cedo nesta sexta-feira, 12, o papa pediu que as pessoas de fé, particularmente os cristãos, ajudassem a difundir a ética na sociedade.   Tradicionalmente, a França católica apostólica romana tem lutado com a mutação em sua paisagem religiosa, especialmente com sua crescente população islâmica.   O pontífice disse aos jornalistas que "religião e política devem ser abertas uma para a outra". Ele descreveu os valores católicos como "fundamentais para a sobrevivência de nossas nações e sociedades."   Bento XVI encontrou, aparentemente, em Sarkozy um aliado que, em seu discurso de boas vindas no Palácio do Eliseu, disse que "seria uma loucura nos privarmos" das contribuições da religião, "um golpe contra a cultura e o pensamento."

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