Papa diz a líderes religiosos que fé não pode justificar violência

Na catedral de Nápoles, o papa rezou diante das relíquias de San Gennaro, o patrono da cidade

Associated Press,

21 de outubro de 2007 | 16h36

O papa Bento XVI disse a líderes de várias religiões que a fé nunca deveria ser usada como justificativa para ações violentas. A declaração foi feita em encontro com aiatolás, patriarcas ortodoxos cristãos, rabinos, monges budistas e pastores de diversas correntes.   "Em um mundo ferido por conflitos, onde a violência é justificada em nome de Deus, é importante repetir que a religião nunca pode se tornar veículo para o ódio. Ela nunca pode ser usada em nome de Deus para justificar a violência", afirmou o pontífice. "Ao contrário, religiões podem e devem oferecer recursos preciosos para a construção de uma humanidade pacífica, porque falam de paz no coração do homem", acrescentou.   Durante missa a céu aberto, Bento XVI condenou a violência prevalecente em Nápoles e propôs programas nas escolas e nos locais de trabalho para mudar a "mentalidade de violência" que, segundo ele, tem atraído jovens que têm poucas oportunidades econômicas.   "Há tantas situações de pobreza, de moradia inadequada, de desemprego e de subemprego, de falta de perspectivas para o futuro. Não é somente o número lamentável de crimes da Camorra, mas também o fato de que a violência tende, infelizmente, a tornar-se uma mentalidade difusa, insinuando-se na vida social, no centro histórico e nos novos subúrbios sem face, com o risco de atrair especialmente os jovens", acrescentou.   Na catedral de Nápoles, o papa rezou diante das relíquias de San Gennaro, o patrono da cidade.   Também neste domingo, Bento XVI almoçou com vários líderes religiosos, entre eles Din Syamsuddin, presidente da Muhammadiyah, segunda maior organização islâmica da Indonésia, Yoná Metzger, um dos rabinos-chefes de Israel, o arcebispo de Canterbury (Igreja Anglicana), Rowan Williams, o patriarca ortodoxo Bartolomeu I, e o presidente do Conselho Mundial de Igrejas, reverendo Samuel Kobia, além de representantes budistas, hindus e zoroastristas.

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