Riccardo de Luca/AP
Riccardo de Luca/AP

Papa diz estar triste com vazamento de documentos pessoais

Bento XVI afirma que ilações sobre o escândalo do desvio de cartas pelo seu mordomo deturpam imagem da Santa Sé

José Maria Mayrink,

30 Maio 2012 | 22h30

O papa Bento XVI falou ontem pela primeira vez sobre o escândalo que abalou o Vaticano, após a prisão, na semana passada, de seu mordomo, Paolo Gabriele, suspeito de ter municiado o jornalista Gianluigi Nuzzi com documentos para a publicação do livro Sua Santidade, as cartas secretas de Bento XVI.

 

"Os acontecimentos divulgados esses dias sobre a Cúria e meus colaboradores causaram profunda tristeza em meu coração, mas nunca se ofuscou a certeza firme de que, apesar da debilidade do homem, das dificuldades e das provas, a Igreja é guiada pelo Espírito Santo", disse o papa, durante a audiência geral das quartas-feiras. Bento XVI reiterou sua confiança nos colaboradores mais próximos.

 

O comentário de Bento XVI sobre o escândalo coincidiu com a publicação pelo Osservatore Romano, o jornal oficioso da Santa Sé, de uma longa entrevista do arcebispo Angelo Becciu, vice-prefeito da Secretaria de Estado, sobre "os escritos subtraídos do papa". Bento XVI e o arcebispo Becciu consideram exageradas e sem fundamento as ilações levantadas pela imprensa, que apresentam "uma imagem da Santa Sé que não corresponde à realidade".

 

Embora esteja "addolorato" (muito triste) com o ocorrido, Bento XVI determinou que a responsabilidade pelo vazamento das cartas seja apurada com transparência e rigor. Casado e pai e dois filhos, o mordomo Gabriele, de 46 anos, mora dentro do Vaticano e serve o papa há seis anos. Ele foi preso porque a polícia do Vaticano localizou documentos secretos guardados ilegalmente em sua casa.

 

Cartas. Além de escritos de Bento XVI, Nuzzi divulgou cartas dirigidas ao secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone, e ao secretário particular do papa, Georg Gänswein. Na avaliação de vaticanistas , o objetivo do vazamento seria minar o prestígio de Bertone e manipular a sucessão de Bento XVI.

 

O dossiê envolve ainda questões como os escândalos sexuais na congregação religiosa Legionários de Cristo, negociações para a reintegração de integristas cismáticos e o comportamento da Igreja na China. O porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, desmentiu a suspeita de que um cardeal esteja envolvido no escândalo.

/ COM AFP, AP e EFE

 

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