Papa diz que ciência não pode ser único critério do bem

Para o papa, é mais do que nunca importante 'educar as consciências de nossos contemporâneos'

Ansa,

28 de janeiro de 2008 | 14h09

Em audiência aos participantes do convênio acadêmico "A identidade mutável do indivíduo", o papa Bento XVI advertiu para a importância de, nesta época em que "o desenvolvimento das ciências fascina e seduz pelas possibilidades oferecidas", evitar que o homem se torne "o objeto de manipulações ideológicas, de decisões arbitrárias ou de abuso do mais forte sobre o mais fraco".   Vaticano lança turnê mundial contra o aborto   O convênio acadêmico foi realizado nos dias 24 e 25 de janeiro em Paris, por iniciativa da Academia de Ciências Morais e Políticas e da Academia de Ciências da França, junto com a Pontifícia Academia de Ciências.   Para o papa, é mais do que nunca importante "educar as consciências de nossos contemporâneos para que a ciência não se torne o critério do bem e para que o homem seja respeitado como o centro da criação". Bento XVI procurou prevenir contra os "perigos dos quais nós pudemos conhecer as manifestações no curso da história humana e em particular no curso do século 20".   "Todo o caminho científico deve ser também um caminho de amor, criado para colocar-se a serviço do homem e da humanidade, e para dar sua contribuição à construção da identidade das pessoas", disse o papa. "O homem não é fruto de um acaso, nem de uma série de coincidências, nem de determinismos, nem de interações fisico-químicas; é um ser que goza de uma liberdade que, tendo consciência de sua natureza, transcende esta última e aquilo que é o sinal do mistério da alteridade que a habita", declarou Bento XVI.   Segundo o pontífice, "essa liberdade, que é própria do ser humano, faz com que este possa orientar sua vida até um final, que possa, através de seus atos, caminhar em direção à felicidade à qual é chamado pela eternidade".   "Essa liberdade faz parecer que a existência do homem tem um senso. No exercício de sua autêntica liberdade, a pessoa realiza sua vocação; completa-se; dá forma à sua identidade profunda. A dignidade particular do ser humano é ao mesmo tempo um dom de Deus e a promessa de um futuro", acrescentou.   Bento XVI declarou ainda que "o homem leva em si uma capacidade específica: discernir o que é bom e o bem, em uma capacidade que o incentiva a fazer o bem". "Movido por isso, o homem é chamado a desenvolver sua consciência através da formação e do exercício, para guiar-se livremente na existência, baseando-se nas leis existenciais que são a lei natural e a lei moral".

Tudo o que sabemos sobre:
religiãocatolicismopapa

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.