Papa diz que sua adolescência foi arruinada pelo nazismo

Em encontro com jovens em Nova York, Bento XVI diz que sua juventude foi arruinada 'por regime funesto'

Efe,

19 de abril de 2008 | 21h52

O papa Bento XVI disse neste sábado, 19, no festivo e espontâneo encontro com cerca de 20 mil jovens no seminário de St. Joseph, em Nova York, que sua adolescência foi "arruinada por um regime funesto", em referência ao nazismo. Igreja dos EUA precisa de 'purificação', diz Bento XVI em NYVisita de Bento XVI aos EUA é mais pastoral que política Bento XVI afirmou aos jovens que seus anos de adolescência foram arruinados por "um regime que pensava que tinha todas as respostas". "Seu influxo cresceu, se infiltrando nas escolas e nos organismos civis, assim como na política e inclusive na religião, antes que pudesse se perceber que era um monstro", disse. O papa tinha naquela época 17 anos, e nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial (1942-1945) foi chamado para os serviços auxiliares antiaéreos do Exército alemão. Bento XVI disse aos jovens que agora muitos deles podem aproveitar a liberdade que surgiu graças à expansão da democracia e do respeito aos direitos humanos. No entanto, advertiu, que "o poder destruidor permanece. Dizer o contrário será enganar a si mesmo", mas acrescentou que "este jamais triunfará". A cerimônia, que aconteceu na esplanada diante do Seminário de St. Joseph, esteve caracterizada pela espontaneidade e o entusiasmo dos jovens, que não deixaram de cantar e de gritar "viva ao papa" durante todo o ato. O entusiasmo dos jovens contagiou o papa, que chegou a quebrar o protocolo deste tipo de cerimônia para se levantar e beijar cada um dos jovens que discursaram. Os jovens ofereceram ao papa vários tipos de pão, milho, arroz, símbolos da "riqueza das culturas e tradições" representadas nos Estados Unidos.  Bento XVI também falou dos problemas da juventude, "como o abuso das drogas, a falta de casa e a pobreza, o racismo e a violência, e a degradação que sofrem, principalmente, muitas mulheres." Afirmou que todos estes problemas são produto de "uma atitude mental envenenada, que se manifesta em tratar as pessoas como meros objetos". Além disso, advertiu que o mundo suporta o peso "da avidez consumista e da exploração irresponsável", e os convidou a "rejeitar qualquer tentação de ostentação ou de vaidade, e a viver com caridade, castidade e humildade" A cerimônia concluiu com a Ave Maria de Franz Schubert, interpretada pela cantora americana Kelly Clarkson, de 25 anos.

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