Papa e cardeais discutem relações com outros cristãos

Aproximação com ortodoxos avança, mas diálogo com protestantes é difícil, diz o cardeal Walter Kasper

TOM HENEGHAN, REUTERS

23 de novembro de 2007 | 15h06

O papa Bento XVI discutiu com os cardeais as relações da Igreja Católica com outras denominações cristãs, ressaltou o esforço de aproximação com os ortodoxos e o desafio do crescimento das igrejas protestantes. A reunião, a portas fechadas, foi realizada dias antes da consagração de 23 novos cardeais, que inclui o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer. O encontro aconteceu num momento em que há avanços na aproximação com a Igreja Ortodoxa - que rompeu com Roma em 1054 -, mas em que é grande a fragmentação no mundo protestante e anglicano. O comunicado oficial sobre a reunião afirmou que os cardeais também falaram sobre as relações com judeus e muçulmanos, mas não deu detalhes. No mês passado, 138 intelectuais muçulmanos fizeram um apelo em prol do diálogo entre cristãos e muçulmanos. No mês passado, houve uma reunião entre católicos e ortodoxos em Ravena, mas a Igreja Ortodoxa Russa, que responde por mais de metade dos 220 milhões de ortodoxos do mundo, deixou a conferência em protesto contra a presença de uma igreja ortodoxa estoniana alinhada ao patriarca ecumênico de Constantinopla, hoje Istambul. "Estamos trabalhando para que Constantinopla e Moscou achem uma solução. É uma questão política, não teológica", disse a jornalistas o cardeal Walter Kasper, chefe do departamento para a unidade cristã. Kasper mencionou a possibilidade de o papa se reunir com o patriarca ortodoxo russo, o que seria um encontro histórico, mas não citou lugar nem data. Segundo o cardeal, os ortodoxos concordaram pela primeira vez, no mês passado, em manter o papa como chefe de sua hierarquia. Já as relações com os anglicanos - que são 77 milhões - estão numa "situação muito difícil", afirmou o cardeal. Segundo ele, os conflitos entre tradicionalistas e liberais, inclusive no Terceiro Mundo, estão provocando uma crise em torno da ordenação de mulheres e de bispos homossexuais. As relações com as igrejas evangélicas é dificultada pela enorme fragmentação interna, disse o cardeal. De acordo com Kasper, há hoje 400 milhões de pentecostais no mundo todo, e as igrejas não param de crescer, especialmente na América Latina - muitas vezes, atraindo fiéis católicos. "Não devemos perguntar o que há de errado nos pentecostais, mas o que há de errado em nosso trabalho pastoral, para chegar a uma renovação espiritual", disse ele.

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