Papa, na Espanha, pede para Europa manter raízes espirituais

O papa Bento 16 fez neste sábado um alerta contra o materialismo e a favor da herança espiritual da Europa. O pontífice iniciou uma visita à Espanha e fez uma crítica indireta à legislação pró-aborto do país.

CRISTINA FUENTES-CANTILLANA, REUTERS

06 Novembro 2010 | 14h17

A Igreja Católica Romana da Espanha, cuja imagem foi manchada por sua proximidade com a ditadura de 36 anos de Francisco Franco, entrou em choque contra o governo socialista do premiê José Luis Zapatero sobre os direitos dos homossexuais e aborto.

"Eu desejo encorajar a Espanha e a Europa a construírem seu presente e projetarem seu futuro com base na verdade autêntica sobre o homem", disse o papa no início de sua viagem de 32 horas a Santiago de Compostela.

Bento 16, na segunda viagem à Espanha desde sua eleição em 2006, foi recebido pelo príncipe Felipe e pela princesa Letizia quando chegou à cidade, um importante destino de peregrinação desde os tempos medievais.

O papa afirmou que a liberdade tem que ser baseada na "justiça para todos, começando pelos mais pobres e os mais indefesos", em uma clara referência ao aborto.

O aborto, ilegal sob o regime de Franco --morto em 1975-- foi legalizado sob circunstâncias limitadas em 1985, mas neste ano o governo de Zapatero liberou o procedimento durante as primeiras 14 semanas de gravidez. Menores podem abortar se tiverem consentimento de um parente.

Um dos principais temas do papado de Bento 16 tem sido o que a Igreja chama de "reevangelização" da Europa, uma tentativa de incentivar as pessoas a retornarem a ideais religiosos apesar de viverem em sociedades altamente secularizadas.

Bento 16 afirmou que a Europa deveria se "preocupar não somente com as necessidades materiais das pessoas, mas também com a moral e as necessidades sociais, espirituais e religiosas, uma vez que todas essas são exigências genuínas de nossa humanidade...".

Dos 46 milhões de espanhois, 76 por cento se consideram católicos, mas somente 15 por cento destes dizem que vão à Igreja regularmente, segundo uma pesquisa do Centro de Pesquisa Sociológica.

Mas com a Espanha lutando para sair de uma prolongada recessão e com um índice de desemprego de 20 por cento, os protestos contra o papa se concentraram não apenas sobre temas religiosos e sociais, mas também nos milhões de euros gastos em segurança e logística.

"Eu acho que é muito ruim gastar tanto dinheiro com uma pessoa que vem, faz um discurso, fica uma hora e depois vai embora", disse Pedro Barral Gonzalez, 18, em Santiago de Compostela.

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