Papa pede que farmacêuticos resistam a aborto e eutanásia

Para Bento XVI, o farmacêutico católico tem o direito de se recusar a fornecer medicamentos 'imorais'

Ansa,

29 de outubro de 2007 | 15h52

O papa Bento XVI afirmou que a negação por consciência é um "direito reconhecido" aos farmacêuticos, quando recebem a solicitação de indicar medicamentos "que tenham objetivos claramente imorais, como por exemplo, o aborto e a eutanásia".   Durante uma palestra para participantes de um congresso internacional de farmacêuticos católicos, Bento XVI pediu para que os profissionais "divulguem as implicações éticas do uso de alguns medicamentos".   "Nesse campo, as consciências não podem ser anestesiadas, por exemplo, sobre os efeitos de moléculas que têm como objetivo impedir a fixação de um embrião ou de destruir a vida de uma pessoa", acrescentou o papa.   Segundo o senador da bancada de deputados Verdes Comunistas italianos, Giampaolo Silvestri, vice-presidente da Comissão de Saúde, "o papa Bento XVI afirma que 'não é possível anestesiar as consciências' em alusão à venda da pílula do dia seguinte".   "Fiel ao lema 'parirás com dor', quer transferir o mesmo conceito ao 'abortarás com dor'. Chegará um dia em que a cátedra de Pedro superará seus medos do corpo feminino e da livre escolha da mulher e, em vez disso, invocará a negação por consciência sobre armas e sua produção?", questionou o senador.   "O pedido do papa aos farmacêuticos para que se neguem a vender a pílula do dia seguinte é uma grande intromissão na política e na vida civil italiana, uma das maiores, na minha opinião", afirmou Lídia Menapace, senadora do Partido da Refundação Comunista.

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