Papa pede que moradores de Roma não ignorem refugiados e carentes

O papa Francisco pediu que os moradores de Roma não permitam que a beleza de sua cidade os deixe cegos para o crescente número de sem-teto, refugiados e desempregados vivendo entre eles.

Reuters

31 Dezembro 2013 | 17h42

Francisco, que também é bispo de Roma, fez um apelo para as pessoas ajudarem os pobres, um marco pessoal do seu papado, em uma solenidade nesta terça-feira, na Basílica de São Pedro, que marcou o fim do ano.

"Roma tem muitos turistas, mas também tem muitos refugiados", disse o líder de 1,2 bilhão de membros da Igreja Católica na missa conhecida como orações de ação de graças "Te Deum".

Ele pediu que os romanos não vejam a cidade apenas como um "cartão postal", mas que abram os olhos para as muitas pessoas que estão desempregadas, que são mal remuneradas e que estejam sofrendo com pobreza "moral e material".

Francisco, que levou um estilo mais simples ao Vaticano, era conhecido como o "bispo humilde" quando estava em Buenos Aires, sua cidade natal, por causa de suas visitas frequentes aos bairros mais pobres da capital argentina.

De acordo com o grupo de caridade italiano e católico Sant' Egidio, que ajuda pobres, refugiados e imigrantes, há cerca de 8 mil pessoas sem lugar para morar em Roma e esse número cresceu cerca de 10 por cento nos últimos anos.

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) afirmou que 7.800 imigrantes e pessoas em busca de asilo desembarcaram na Itália apenas na primeira metade do ano, muitos deles fugindo da guerra civil da Síria.

Muitas outras pessoas carentes em Roma têm um teto, mas a crise econômica as obrigou a procurar entidades de ajuda para receber refeições e serviços sociais, segundo o grupo, que organiza distribuição de sopa na capital italiana.

No começo deste mês, dados do escritório de estatísticas nacional Stat mostrou que um terço das pessoas que moram na Itália está ameaçada pela pobreza e exclusão social, em comparação com a média europeia de 24,8 por cento. Um pouco mais de 21 por cento não conseguem aquecer as suas casas de forma adequada, acima dos 18 por cento em 2011.

Após a missa da véspera, Francisco visitou o tradicional presépio de tamanho real na Praça São Pedro e cumprimentou as pessoas trocando desejos de Ano Novo no local.

(Reportagem de Philip Pullella)

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