Papa pede que religiões e os que não têm Igreja se aliem por justiça

O papa Francisco pediu nesta quarta-feira que os membros de todas as religiões e os que não pertencem a nenhuma Igreja se unam para defender a justiça, a paz e o meio ambiente e não permitam que o valor de uma pessoa seja reduzido a "o que ela produz e o consome".

PHILI, Reuters

20 Março 2013 | 16h28

Francisco, eleito uma semana atrás como o primeiro papa não europeu em 1.300 anos, se encontrou com líderes de religiões cristãs não católicas, como ortodoxos, anglicanos, luteranos e metodistas, e outras incluindo judeus, muçulmanos, budistas e hindus.

"A Igreja Católica está ciente da importância de um respeito maior de amizade entre homens e mulheres de diferentes tradições religiosas", disse o pontífice argentino aos líderes religiosos em uma audiência no Vaticano.

Falando em italiano na Sala Clementina, ele disse que membros de todas as religiões e mesmo não crentes tinham que reconhecer sua responsabilidade conjunta "com o nosso mundo, com toda a criação, que temos que amar e proteger".

"Devemos fazer muito pelo bem dos mais pobres, dos fracos, e dos que estão sofrendo, favorecer a justiça, promover a reconciliação e construir a paz", disse.

Francisco pediu aos líderes religiosos que combatam "uma visão unidimensional de uma pessoa humana, segundo a qual o homem está reduzido a o que produz e o que consome", que ele disse ser "uma das armadilhas mais perigosas de nosso tempo".

Embora ele tenha dito que a história havia mostrado que qualquer tentativa de eliminar Deus tinha produzido "muita violência", ele se aproximou dos que buscam a verdade, o bem e a beleza sem pertencer a nenhuma religião.

"Eles são nossos aliados preciosos no compromisso de defender a dignidade humana, construir uma coexistência pacífica entre as pessoas e proteger a natureza com cuidado", disse.

A descrição de Francisco de pessoas que não são de nenhuma religião como "aliadas preciosas" na busca pela verdade foi um contraste marcante com a atitude do papa anterior Bento 16, que algumas vezes deixava os não católicos sentindo-se como fiéis de segunda classe.

Desde sua eleição há uma semana, Francisco estabeleceu o tom para um papado novo e mais humilde, pedindo que a Igreja defenda os fracos e proteja o meio ambiente.

Em outro sinal de seu estilo mais simples, Francisco se dirigiu aos líderes religiosos sentado em uma cadeira bege e não no costumeiro trono usado no salão ornado para as audiências.

COMPROMISSO CATÓLICO E JUDEU

"Sinto uma grande dose de animação e de otimismo e esperança", disse o rabino baseado em Jerusalém David Rosen, diretor internacional de Questões Religiosas do Comitê Americano-Judaico.

"Ele está profundamente comprometido com a relação católico-judaica", disse à Reuters Rosen, que participou do encontro.

Yahya Pallavicini, líder da comunidade muçulmana da Itália, disse que estava impressionado com a insistência do papa na amizade interreligiosa.

"A amizade é um modo central de aumentar a fraternidade entre os crentes e também de aumentar a profundidade da dignidade da humanidade", ele falou depois do encontro.

"Não podemos considerar o homem apenas como um consumidor ou como alguém que tem que ser considerado apenas em termos de mercado, mas como um crente e uma pessoa que tem a santidade em seu coração."

(Reportagem adicional de Tom Heneghan)

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