Papa promete lutar contra o 'mal' das drogas no México

O papa Bento 16 viajava para o México na sexta-feira com a promessa de "desmascarar o mal" do tráfico de drogas em um país atormentado por um surto de violência de gangues nos últimos cinco anos.

PHILI, REUTERS

23 Março 2012 | 16h00

O papa, que inicia sua visita de três dias na cidade de Leon, na região central do país, deu uma resposta forte quando questionado a bordo de seu avião sobre o tráfico de drogas no México, responsável pela violência que já matou cerca de 50 mil pessoas desde 2007.

"Precisamos fazer o possível para combater esse mal destrutivo contra a humanidade e nossa juventude", disse ele a jornalistas. "É responsabilidade da Igreja educar consciências, ensinar responsabilidade moral e desmascarar o mal, desmascarar essa idolatria ao dinheiro que escraviza o homem, desmascarar as falsas promessas, as mentiras, a fraude que está por trás das drogas."

A sangria implacável está na cabeça de muitos dos que aguardam para ver Bento 16 em Leon -- reduto católico que tem evitado o pior da guerra brutal entre os cartéis de drogas e os confrontos com as forças de segurança.

"A Igreja tem de lidar com a violência, dar-nos uma mensagem de que pode haver uma mudança. Estamos todos cheios, nossa sociedade está ferida", disse o médico Ruben Santibanez, morador da cidade.

O palavreado duro do papa sobre a ameaça das drogas deve oferecer conforto ao presidente mexicano, Felipe Calderón, que apostou sua reputação no combate aos cartéis. Ele vai se reunir com o papa.

A incapacidade do governo para aplacar a violência tem minado o apoio ao conservador Partido da Ação Nacional (PAN), de Calderón, um grupo com fortes raízes católicas que enfrenta dificuldades para manter a presidência nas eleições em julho.

Em Leon, centenas de católicos - muitos deles jovens dispensados das escolas - vestidos com camisetas e bonés brancos já se posicionavam nas ruas nesta sexta-feira em busca de bons lugares para ver o papa, festejando os carros que passavam.

Diversos fieis seguravam uma grande faixa onde se lia: "Papa, reze pelo fim da violência, reze para que volte a paz."

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