Papa remove cardeal responsabilizado por crise com judeus

Darío Castrillón Hoyos presidia setor criado 20 anos atrás para buscar reaproximação com grupo dissidente

PHILIP ULLELLA, REUTERS

08 de julho de 2009 | 16h41

O papa Bento XVI removeu efetivamente nesta quarta-feira, 8, um funcionário do Vaticano amplamente responsabilizado por uma controvérsia envolvendo um bispo que negou o Holocausto.     A polêmica do bispo que nega o HolocaustoO cardeal Darío Castrillón Hoyos era presidente do departamento do Vaticano criado 20 anos atrás para buscar uma reaproximação com um grupo dissidente ultraconservador, ligado ao escândalo de negação do Holocausto, que emergiu em janeiro. O papa colocou agora esse departamento, conhecido como Ecclesia Dei (Igreja de Deus), sob o controle do departamento de doutrina do Vaticano - a Congregação pela Doutrina da Fé - e nomeou o cardeal norte-americano Joseph Levada para presidi-lo. O departamento Ecclesia Dei foi amplamente responsabilizado pelo ultraje internacional resultante da decisão do papa de remover a excomunhão de quatro bispos da tradicionalista Sociedade de São Pio X (SSPX). Ao remover a excomunhão, o papa estava tentando pôr fim a uma disputa de 20 anos, iniciada quando os bispos foram punidos por terem sido ordenados sem a permissão do papa João Paulo II. Um dos bispos, Richard Williamson, disse em entrevista acreditar que não existiram câmaras de gás e não mais do que 300.000 judeus pereceram em campos de concentração nazistas, em vez do total de 6 milhões afirmado pelos historiadores. O bispo britânico já havia feito comentários semelhantes antes - boa parte deles disponível na internet - e Castrillón Hoyos foi criticado por não ter examinado o caso dele adequadamente, e falhado em prever a reação que se seguiria. Na época do escândalo, o Vaticano informou que o papa não sabia dessas declarações de Williamson e o próprio Bento XVI admitiu, em uma carta a bispos, que a Igreja tinha de aprender a usar apropriadamente a internet. Os comentários de Williamson e a decisão do papa de remover sua excomunhão causaram uma profunda fissura nas relações católico-judaicas. A medida foi condenada por sobreviventes do Holocausto, católicos, o chefe do Rabinato de Israel, líderes judaicos em todo o mundo e a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel.

Tudo o que sabemos sobre:
PAPAHOLOCAUSTOFUNCIONARIOREFORMA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.