Papa se diz 'envergonhado' por escândalos da Igreja nos EUA

Bento XVI segue para Washington nesta terça e afirma que excluirá qualquer pedófilo do ministério sagrado

Reuters e Associated Press,

15 de abril de 2008 | 09h05

O papa Bento XVI disse nesta terça-feira, 15, que está "profundamente envergonhado" pelas denúncias de abuso sexual envolvendo a Igreja Católica Romana nos Estados Unidos, e prometeu que fará o possível para evitar novos escândalos.  Veja também: Ativistas pedem ação do papa contra abusos nos EUA Papa verá nos EUA catolicismo em transformação EUA só normalizaram relações com o Vaticano em 1984 "Nós excluiremos absolutamente pedófilos do ministério sagrado", disse Bento XVI aos repórteres na aeronave que o leva para Washington em sua primeira visita aos EUA. "Estamos profundamente envergonhados e faremos o possível para que isso não se repita no futuro". Um encontro oficial com o presidente, duas missas em estádios de beisebol, uma parada para orações no marco zero, em Nova York, entre outras atividades. O papa Bento XVI terá uma agenda cheia, em sua primeira visita no posto aos Estados Unidos. O papa partiu de Roma para Washington nesta terça-feira. O presidente George W. Bush o receberia assim que ele pousasse em solo americano. É a primeira vez que o líder norte-americano recebe um estrangeiro no local de desembarque. Segundo o programa, esta será a única aparição pública do papa no primeiro de seus seis dias de visita dos EUA, país com 65 milhões de católicos. Aparentemente, o descanso na chegada trata-se de um cuidado para evitar problemas com o fuso horário no religioso, que fará 81 anos na quarta-feira. Mais de 10 mil pessoas são esperadas na quarta-feira para observar, nas proximidades da Casa Branca, a visita oficial do papa a Bush. A Casa Branca também planeja um jantar de gala nesta noite - ainda que o papa não esteja presente neste evento. Segundo o governo, ele estará participando na mesma hora de uma cerimônia com bispos do país. O líder religioso e o presidente dos Estados Unidos têm temas em que discordam, como a guerra no Iraque, a pena de morte e o embargo dos EUA sobre Cuba. Porém, também concordam em assuntos como a oposição ao aborto, ao casamento gay e às pesquisas com células-tronco. No domingo, em sua tradicional oração diante da Praça São Pedro, Bento XVI afirmou que sua visita seria um "período de renovação espiritual para os americanos". Espera-se que Bento XVI afirme a importância dos valores morais e combata o que ele considera as perigos do relativismo moral. Em Nova York, o papa realizará uma cerimônia nas Nações Unidas. Também visitará a sinagoga Park East, parte de seu esforço para estreitar as relações com os judeus. Ele celebrará missa no Nationals Park, em Washington, e no Yankee Stadium, em Nova York. Este será seu último grande evento na viagem, no domingo. Antes, no mesmo dia, visitará o marco zero, local em que ficavam as torres do World Trade Center, vítimas do atentado de 11 de setembro de 2001. Escândalos  Em 2002, um artigo do jornal Boston Globe denunciou um ex-padre por ter abusado sexualmente de 130 menores durante 30 anos. Descobriu-se também que o cardeal de Boston, Bernard Law, havia acobertado outros padres pedófilos, conseguindo transferências para os acusados.  O escândalo afetou a imagem da Igreja Católica no mundo e levou as dioceses dos Estados Unidos a gastar cerca de US$ 2 bilhões para indenizar vítimas de abusos. Só a diocese de Los Angeles pagou cerca de US$ 660 milhões para 500 vítimas de abusos a partir da década de 40.

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