Papa tem dificuldades para manter latino-americanos na Igreja, diz pesquisa

Apesar de um primeiro ano de proeminência à frente do Vaticano, o papa Francisco não tem conseguido conter a debandada de latino-americanos do catolicismo para os cultos evangélicos, ou para o secularismo em países mais prósperos.

Reuters

16 Abril 2014 | 18h45

O número de católicos na América Latina, historicamente fiel à Igreja, caiu de 80 por cento para 67 por cento entre 1995 e 2013, revelou uma pesquisa do instituto chinelo Latinobarómetro nesta quarta-feira.

"Nos dados recentes, não vemos um impacto no número de católicos na esteira da chegada do papa Francisco no comando da Igreja", informou o centro de pesquisas, mas acrescentou que ainda é muito cedo para estimar plenamente o efeito do papa argentino, eleito em março do ano passado.

Ainda assim, parece que o ex-arcebispo de Buenos Aires está ganhando a confiança de seu rebanho.

Cerca de 78 por cento dos católicos latino-americanos disseram confiar na Igreja no ano passado, um aumento em relação aos 69 por cento de 2011, embora o salto de confiança entre cristão evangélicos tenha sido ainda maior.

Os escândalos de abusos infantis da Igreja e a percepção de que a instituição está em descompasso com as preocupações do presente abriram a porta para um aumento do evangelismo, especialmente entre os pobres da região e na América Central.

Sermões emotivos e vibrantes nas igrejas evangélicas, em contraste com a frequente solenidade das missas católicas, também atraíram fiéis.

No Brasil, por exemplo, aproximadamente uma de cada cinco pessoas se identificou como cristã evangélica.

"Os latino-americanos abraçam outra religião quando abandonaram o catolicismo", afirmou o Latinobarómetro.

As exceções são Chile e Uruguai, vistos por muitos como os países mais estáveis e ricos da região, onde o secularismo vem ganhando terreno.

(Reportagem de Alexandra Ulmer)

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