Papagaio-de-cara-roxa é monitorado por rádio-colar

Um filhote de papagaio-de-cara-roxa, que habita a Ilha das Peças, em Guaraqueçaba, no litoral norte do Paraná, recebeu um rádio-colar que permitirá aos pesquisadores monitorá-lo por dois anos. Neste período, pretendem identificar seus locais preferenciais para alimentação, abrigo noturno e reprodução, além de acompanhar suas rotas de migração. O objetivo é ter dados precisos sobre a qualidade dos habitats utilizados pelo papagaio e melhorar o manejo da espécie, ameaçada de extinção.?O papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) só existe em uma faixa litorânea de cerca de 100 quilômetros entre o sul do Paraná e a Juréia (litoral sul de São Paulo), com uma população estimada atualmente em 4 mil indivíduos. Em locais mais degradados, como o litoral sul do Paraná, são apenas poucas dezenas e essa diminuição pode estar acontecendo também no litoral norte?, diz Clóvis Borges, diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), entidade responsável pelo projeto.Além da degradação da Mata Atlântica, o tráfico de animais é a principal causa da ameaça à espécie. Segundo a bióloga Elenise Sipinski, coordenadora do projeto, o rádio-colar foi instalado no final do ano em um filhote que ainda estava no ninho. ?Com isso, poderemos fiscalizar mais de perto a captura ilegal?, avalia.O equipamento pesa oito gramas e foi dimensionado para não prejudicar os movimentos do animal. Além disso, conta com uma presilha degradável, com vida útil de cerca de dois anos, período que dura a bateria do colar. ?Não seria razoável fazer um aparelho para toda a vida do papagaio, que é de 40 a 50 anos?, diz Borges. Zig Koch/SPVSPesquisadores vão monitorar área de uso do papagaioDesenvolvido pela SPVS desde 1998, o Projeto Conservação do Papagaio-de-cara-roxa conta ainda com ações de educação ambiental e geração de renda para a população local. Para a atual fase, que deve durar dois anos e inclui o monitoramento por rádio-colar, conta com financiamento do Fundo Nacional do Meio Ambiente, no valor de R$ 250 mil, e uma parceria com a PUC do Paraná, que contratou os técnicos e disponibiliza estagiários da universidade. Além disso, a entidade possui outras parcerias, como o projeto Adote um Papagaio, pelo qual cerca de 700 pessoas dão uma colaboração em dinheiro para o projeto.Os papagaios-de-cara-roxa têm comportamentos peculiares. Escolhem um parceiro fixo para a vida toda e, se um deles morre, o outro fica solitário até o fim. Costumam voar em bandos, embora os casais permaneçam unidos. Normalmente, escolhem as ilhas como morada, locais para onde voltam todo o fim de tarde. Por conta disso, um dos focos da SPVS é incentivar o turismo de observação nestes locais, criando um mercado de trabalho desejável para a região.

Agencia Estado,

09 de abril de 2003 | 15h53

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