Para D. Orani, primeiro desafio será conhecer o povo do Rio

Dom Orani João Tempesta, de 58 anos, deixa Belém, onde foi arcebispo por três anos e dois meses

Clarissa Thomé, de O Estado de S. Paulo,

27 de fevereiro de 2009 | 18h28

Dom Orani João Tempesta, de 58 anos, assume em 19 de abril a arquidiocese do Rio de Janeiro. Deixa Belém, onde foi arcebispo por três anos e dois meses e encontrou uma Igreja "pujante", "participativa". Assume na capital do Estado que tem, proporcionalmente, o maior número de ateus do país - 15,5% da população, o dobro da média do Brasil - e é marcada pela violência.  Veja também: Papa nomeia Orani João Tempesta como novo arcebispo do Rio Que desafios espera encontrar no Rio de Janeiro?O primeiro desafio será conhecer a Igreja e o povo do Rio, o que já existe de trabalho, de lutas, de parcerias. Quero colaborar com o poder público e a população para diminuir a violência, crescer a fraternidade, para vivermos um Rio de Janeiro mais tranquilo. O Rio de Janeiro sofre com a violência urbana, o tráfico, a milícia. Como enfrentar essas questões?Cada lugar tem seus desafios, de um jeito ou de outro. E a Igreja tem de estar próxima das pessoas para procurar respostas e minorar os problemas da população. Dados do IBGE mostram que o Rio tem a maior população de ateus. Como aproximá-los da Igreja?Primeiro vou procurar cuidar para que aqueles que são católicos estejam bem orientados e bem esclarecidos. E para os que não creem, queremos encontrar caminhos culturais de convivência, respeito mútuo. Somos diferentes, mas temos problemas parecidos e podemos trabalhar juntos. O governo anunciou a liberação de recursos para oito novos de laboratórios para estudos de células-tronco. O que o senhor pensa a respeito dessas pesquisas?Com relação às as células-tronco adultas, que parecem que dão mais resultado, a gente incentiva com muito carinho para que os pesquisadores encontrem métodos que ajudem a saúde das pessoas. Não podemos concordar em querer eliminar as pessoas para a obtenção de células-tronco embrionárias. Como o senhor vê a discussão em torno da descriminalização das drogas?O assunto deve ser muito bem discutido. Temos o caso da bebida alcoólica. Não é proibida, mas faz muito mal a saúde das pessoas. Então, não sei se essa (a descriminalização) é a solução. Precisamos discutir, conversar se esse é o caminho ou se há tipo de caminho para discutir a questão. Ainda falando de temas polêmicos, qual sua posição sobre o aborto?Eu caminho com toda a igreja. Nós acreditamos na vida e procuramos defender a vida em todas etapas. O que falta é a sensibilidade pela vida em todas as etapas para as pessoas. Quando elas virem essa sensibilidade e sabem realmente da importância da vida e das consequências das opções por uma cultura de morte tenho certeza que haverá mudança social nesse sentido. Houve muita polêmica aqui no Rio, com a demissão de funcionários da Cúria, depois de uma consultoria prestada pela Fundação Getúlio Vargas.É preciso ver o que aconteceu. A Fundação Getúlio Vargas é uma instituição muito séria. Preciso me inteirar como as coisas estão. As pessoas merecem um voto de confiança.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.