Para Fábio Feldman, ainda falta foco para Rio+10

Na opinião do secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Fábio Feldman, ainda falta foco para a Rio+10. ?As reuniões preparatórias com representantes de governos e ONGs já identificaram algo como 120 assuntos?, disse. ?Obviamente, ainda falta foco para a reunião de cúpula?. Assim ele resume a avaliação do governo brasileiro para a próxima reunião de cúpula a realizar-se entre agosto e setembro, em Johanesburgo, África do Sul. Feldman foi nomeado, por decreto publicado no "Diário Oficial" da União de 18 de fevereiro, o representante oficial do presidente Fernando Henrique Cardoso na reunião. Assim, sua opinião é, para efeitos práticos, a opinião do presidente.Agência Estado - O fato de o presidente tê-lo nomeado para representá-lo na Rio+10 significa que ele estará ausente do evento?Fábio Feldman - Ao contrário, a minha nomeação deverá aumentar o protagonismo que o presidente tem tido na cena política internacional, e também, esperamos, o desempenho dos países em desenvolvimento nesse evento. O presidente estará presente na reunião em Johanesburgo. A principal razão para a nomeação é que há conversações e articulações que, desde hoje, precisam se concretizar para o sucesso tanto do evento como da participação brasileira.AE - Esse não é o papel da diplomacia e dos ministros, ou seus representantes?Feldman - Não. O Itamaraty é e sempre foi o responsável pelas negociações entre governos, dentro e fora das reuniões preparatórias da Rio+10, como a que ocorreu recentemente em Nova York. Entretanto, é desejo do presidente trabalhar internacionalmente para que a Rio+10 retome as linhas da Rio 92, redefinindo-as, se necessário, mas não simplesmente passando a outra agenda, como o tema da pobreza, por exemplo, como tem sido sugerido em alguns momentos. Isso exige alguém trabalhando em tempo integral, e é essa a função descrita no decreto de nomeação.AE - Não é uma pretensão muito alta?Feldman - Mesmo que fosse, não seria um problema. A diplomacia brasileira é reconhecida internacionalmente em sua habilidade de negociação. O presidente Fernando Henrique também é uma liderança reconhecida internacionalmente.O que está faltando é uma articulação entre todos, dentro e fora dos governos, que querem da Rio+10 uma continuidade crítica com relação à Rio 92.AE - A participação brasileira incluirá representantes da sociedade civil?Feldman - Sem dúvida, embora ainda não esteja definido quantos, de onde ou o como isso será feito.AE - A sua função é também coordenar a participação das ONGs?Feldman - Não. A idéia não é paternalizá-las. Meu objetivo imediato é organizar um evento em junho, para que o maior número possível de representantes da sociedade civil discuta os temas da Rio+10 e prepare-se para a reunião. Paralelamente, vou procurar agências internacionais e grandes empresas para que disponibilizem recursos às ONGs brasileiras, para que possam participar do evento. Mas não posso garantir, a esta altura, quais recursos estarão disponíveis.AE - Quais temas deverão dominar o evento?Feldman - Não está claro, ainda. As reuniões preparatórias com representantes de governos e ONGs já identificaram algo como 120 assuntos. Obviamente, ainda falta foco para a reunião de cúpula. Nosso objetivo é - junto com outras lideranças internacionais - estreitar muito esse espectro. Para nós, ou a Rio+10 avança com propostas de ação concretas ou ela será um retrocesso em relação à Rio 92.

Agencia Estado,

24 de fevereiro de 2002 | 20h07

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