Para papa, divórcio é emergência social

Bento XVI pediu aos casais em crise que procurem ajuda e confiem em Maria e em Deus

Ansa

26 de setembro de 2008 | 15h43

O papa Bento XVI discursou nesta sexta-feira, 26, sobre o divórcio, ao receber pela manhã os participantes de um encontro promovido pela associação Retrouvaille, que ajuda casais em crise.   "Como sua experiência demonstra, a crise conjugal constitui uma realidade de duas faces. De um lado se apresenta, especialmente em sua fase aguda e mais dolorosa", mas toda crise é também "uma passagem a uma nova fase de vida", pronta a se tornar, "com a ajuda do Senhor, uma passagem de crescimento", disse o Papa, acrescentando que dessa superação "o amor sairá purificado, maduro e fortalecido".   Bento XVI disse ter reconhecido "o dedo de Deus" nas atividades da associação, formada por casais que superaram crises conjugais e ajudam pessoas na mesma situação. Para ele, a separação e o divórcio são "certamente, em nossos dias, uma emergência muito presente", sendo necessária "a ação do Espírito Santo, que suscita na Igreja respostas adequadas às necessidades e emergências de cada época".   "Seu serviço vai contra a corrente", disse ele aos responsáveis pela Retrouvaille. "Hoje, quando um casal entra em crise, encontra tantas pessoas prontas para aconselhar a separação. Até mesmo aos casais unidos em nome do Senhor se propõe com facilidade o divórcio, esquecendo que o homem não pode separar aquilo que Deus uniu", completou.   Para Bento XVI, vencer a solidão e a sensação de fracasso procurando a comunhão com Deus, com os outros e com a Igreja pode transformar uma crise conjugal em uma "etapa de crescimento", levando à redescoberta "do tesouro escondido do matrimônio, o fogo sepultado sob as cinzas".   Por fim, o Papa pediu aos casais em crise que procurem ajuda e confiem em Maria e em Deus, porque só "quando um casal em dificuldade, ou até mesmo já separado, confia em Maria e se volta para aquele que fez dos dois uma só carne, pode ter certeza de que aquela crise se transformará, com a ajuda do Senhor, em uma etapa de crescimento e que o amor ressurgirá purificado, fortalecido".   "Isso somente Deus pode fazer, porque é ele que reaviva e faz arder novamente a chama. Certamente não do mesmo modo que a paixão, mas de maneira diversa, mais intensa e profunda, sempre, porém, a mesma chama", concluiu Bento XVI.

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