Paracetamol pode agravar risco de asma em crianças

Analgésico está associado a um risco 46% maior de desenvolver a doença quando chegar aos 6 ou 7 anos

TAN EE LYN, REUTERS

18 de setembro de 2008 | 21h42

Bebês que consomem o analgésicoparacetamol podem ter mais risco de sofrer de asma e eczemaquando tiverem 6 ou 7 anos, segundo um abrangente estudo feitoem 31 países. Esse é um dos três estudos sobre a asma publicados na novaedição da revista médica Lancet. Os outros dois dizem quechiados e coriza podem sinalizar predisposição dos bebês àasma. No primeiro estudo, os médicos examinaram dados fornecidospelos pais de mais de 205 mil crianças, e concluíram que o usodo paracetamol está associado a um risco 46 por cento maior dedesenvolver a doença quando a criança chegar aos 6 ou 7 anos,em comparação a quem não consumiu o medicamento. Em caso de dosagens mais elevadas (mais de uma vez pormês), o risco de asma nos anos posteriores poderia atétriplicar. O paracetamol (vendido no Brasil sob a marca Tylenol, entreoutras) é usado no combate a febres e dores. Em crianças, éadministrado na forma de suspensão. Empiricamente, os médicosjá suspeitavam nos últimos anos que houvesse uma associaçãodessa droga com a asma. Teoricamente, o paracetamol reduz os antioxidantes doorganismo. Alguns especialistas dizem que os antioxidantesimpedem que radicais livres (moléculas instáveis) façam danosao organismo, provocando doenças como o câncer. "O paracetamol pode reduzir os níveis de antioxidantes, eisso pode gerar um estresse oxidante nos pulmões e causarasma", disse por telefone um dos pesquisadores, RichardBeasley, do Instituto de Pesquisa Médica da Nova Zelândia. O uso mensal do paracetamol também dobra o risco de eczemae triplica o de rino-conjuntivite -- espirros, nariz escorrendoe congestão nasal -- quando a criança atinge 6 ou 7 anos,segundo o estudo. Mas os pesquisadores disseram que, como analgésicoinfantil, o paracetamol continua sendo preferível à aspirina,que está associada à síndrome de Reye, uma doença rara, masgrave. A Organização Mundial da Saúde recomenda que o paracetamolsó seja administrado em crianças em casos de febre superior a38,5 graus, evitando-se o uso mais rotineiro. Em outro estudo na Lancet, foram monitoradas 6.461 pessoasem 14 países, todas elas há mais de oito anos sem episódios deasma. Quem vivia com o nariz escorrendo, por causa de rinite oualergias, tinha 3,5 vezes mais chance de desenvolver asmaposteriormente. O terceiro estudo, feito no Arizona (EUA), mostrou quebebês com chiado na respiração podem estar prenunciando casosde asma na vida adulta. Eles examinaram o prontuário de 849pessoas em torno de 22 anos de idade. De 181 vítimas de asma,49 (sendo 35 mulheres) tiveram um diagnóstico precoce. Em 70 por cento dos casos de asma, a pessoa apresentavaesse chiado nos seis primeiros anos de vida. (Reportagem de Ee Lyn)

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