Parceira entre institutos de pesquisa e universidades deve aumentar

A relação entre os institutos de pesquisa e as universidades é tensa no Brasil, mas a tendência é de que os trabalhos em cooperação entre as duas instituições se intensifiquem cada vez mais, apontou Guilherme Ary Plonski, diretor superintendente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT). Ele participou em Londrina do Fórum Gestão da Interação Ciência, Tecnologia e Sociedade, promovido pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em Londrina.O IPT nasceu dentro da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e mantém até hoje um vínculo estreito com a universidade, com vários projetos em parceria com a Poli, que reúne diversos cursos na área de Engenharia. ?Estamos procurando aumentar a cooperação com outras unidades da USP, além da Poli. Temos, por exemplo, a parceria com as Ciências Biomédicas da USP no desenvolvimento do plástico biodegradável?, afirmou. Plonski identificou temas que podem ser trabalhados em comum pelas duas instituições: certificação, materiais, energia e meio ambiente, metrologia e mestrado profissional.O tema é visto como de grande importância pelos pesquisadores, tanto que o IPT quer organizar um encontro para discutir a cooperação entre institutos de pesquisa e universidades que têm proximidade geográfica, caso da USP e o IPT e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que também tem vários institutos de pesquisa ao seu redor. O IPT já falou com USP e Unicamp sobre a realização do workshop, que tratará das formas de aprimoramento da relação entre uma universidade de pesquisa forte e os institutos no entorno. Falta falar com Universidade Estadual Paulista (Unesp) para se fazer o workshop no IPT. Um dos grandes problemas na relação entre as duas instituições é a superposição do papel de universidades e institutos. Plonski contou que a visão antiga na USP era de que na Poli se formava pesquisadores e no IPT se fazia pesquisas. No entanto, uma cobrança cada vez maior para que a universidade também se dedicasse à pesquisa provocou uma tensão no relacionamento entre ambas. Plonski lembrou de um fato recente que mostrou esse problema: a briga dos profissionais dos institutos por isonomia salarial, já que seus pesquisadores recebiam menos do que os da universidade. Há ainda uma percepção de que a universidade é concorrente do instituto. ?E não só de que ela é uma concorrente, mas de que ela é uma concorrente desleal ?, completou Plonski. Essa visão surgiu porque as universidades disputam com os institutos por recursos adicionais, mas já têm direito à parte da arrecadação do governo do Estado. Já os institutos não têm essa garantia. Segundo Plonski, apenas 46% do orçamento do IPT, por exemplo, é pago pelo Estado. Se não houvesse outras formas de arrecadar dinheiro, o IPT não conseguiria pagar seus funcionários. ?A relação entre institutos e universidades é tensa, mas não estamos em pé de guerra e as tensões podem ser administradas?, ponderou.

Agencia Estado,

22 de maio de 2002 | 15h53

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