Parlamento inglês libera clonagem de embriões humanos

A Câmara dos Lordes deu nesta quarta-feira o sinal verde que faltava para a Grã-Bretanha disparar na frente na corrida das pesquisas com células-tronco. Nesta quarta, os pesquisadores britânicos receberam autorização para clonar embriões humanos - para coletar células para pesquisa - e para criar o primeiro banco do mundo de células embrionárias.A clonagem de embriões para pesquisa com fins terapêuticos tornou-se uma grande polêmica nos Estados Unidos, onde o governo George W. Bush, para atender grupos conservadores, limitou o financiamento federal para esse tipo de pesquisa, que ainda corre o risco de ser vetada, dependendo de uma discussão no Congresso.Coincidência ou não, a decisão britânica foi anunciada um dia depois de os Estados Unidos apresentarem às Nações Unidas uma proposta que coloca no mesmo balaio a clonagem humana reprodutiva e a clonagem terapêutica - a que não tem como objetivo produzir um ser humano, mas sim, tecidos que podem ajudar a tratar de doenças como mal de Parkinson e Alzheimer, diabetes e lesões neurológicas."Os EUA apresentaram uma posição muito rígida, que dificulta o consenso", diz a pesquisadora Lygia da Veiga Pereira, da Universidade de São Paulo, que representa o Brasil na primeira rodada de discussões sobre uma futura convenção internacional para proibir a clonagem reprodutiva."Eles não têm consenso nem nos EUA e agora querem impor uma posição que não é do Congresso, nem da população, mas da Casa Branca, aos demais países", criticou a cientista, afirmndo que centenas de embriões são descartados diariamente nas clínicas de reprodução assistida dos EUA.De acordo com ela, a posição norte-americana só recebeu o apoio do Vaticano e uma tímida apreciação da Espanha e Costa Rica. A maioria dos 60 participantes do encontro, porém, é favorável a banir a clonagem reprodutiva humana e deixar que cada país decida o que fazer em termos de pesquisas com células embrionárias."Células extraídas de embriões são fundamentais para a pesquisa que tenta encontrar a cura para essas doenças", afirmou o presidente do comitê da Câmara dos Lordes, Richard Harries, bispo de Oxford. "Para alcançarmos esses objetivos nenhuma linha de pesquisa pode ser vetada neste estágio", disse.No ano passado, a Grã-Bretanha, que possui um sistema extremamente rígido de controle de clínicas de fertilização assistida e laboratórios, tornou-se o primeiro país a permitir a criação de embriões humanos para fins de pesquisa com células-tronco, células virtualmente capazes de se especializar e transformar em qualquer um dos 220 tipos de tecidos do organismo humano.Uma decisão da Justiça, porém, adiou a implementação da medida. O governo Tony Blair se apressou em revisar a legislação para liberar a pesquisa, mas a decisão acabou dependendo do parecer do Parlamento. Uma das condições para que o pesquisador receba permissão para clonar embriões humanos é que as células resultantes do processo sejam depositadas num banco de células embrionárias.

Agencia Estado,

27 de fevereiro de 2002 | 22h25

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