Pássaros observados por Darwin em Galápagos mudam hábitos alimentares, diz estudo

Pela primeira vez, cientistas descobriram uma mudança nos hábitos alimentares de um grupo inteiro de animais enquanto estudavam pássaros nas ilhas Galápagos que ajudaram a inspirar a teoria da evolução das espécies de Charles Darwin.

ALISTER DOYLE, REUTERS

10 Março 2015 | 16h33

A equipe liderada por espanhóis observou 19 das 23 espécies de aves terrestres de Galápagos visitando flores para se nutrir de néctar e pólen, aparentemente porque sua alimentação preferencial de sementes e insetos está escassa nas ilhas remotas do Oceano Pacífico na costa do Equador.

O gosto por flores entre os pássaros de Galápagos tinha passado despercebido até agora.

“Toda a comunidade de pássaros ampliou seu nicho e incluiu agrados florais à sua dieta”, escreveram os cientistas em uma edição do periódico Nature Communications publicada nesta terça-feira.

“Este fenômeno... havia sido registrado anteriormente em espécies isoladas, mas jamais em uma comunidade inteira”, afirmaram.

Os pássaros que os cientistas estudaram ao longo de quatro anos, entre eles tentilhões, rouxinóis e papa-moscas, visitaram mais de 100 tipos de flores.

Quatro espécies de pássaros foram omitidas do estudo por serem extremamente raras ou viverem fora das 12 ilhas estudadas.

“As famílias de aves terrestres de Galápagos têm membros no continente sul-americano que também visitam flores”, disse a principal autora do estudo, Anna Traveset, do Instituto Mediterrâneo de Estudos Avançados da Espanha, à Reuters em e-mail enviado das ilhas Galápagos.

O naturalista britânico Darwin esteve em Galápagos em 1835, e suas observações de que espécies de pássaros relacionadas divergiam de ilha para ilha ajudaram a inspirar seu famoso livro “Sobre a Origem das Espécies”, de 1859, que trata da evolução.

Darwin também notou a carência de insetos. “Fiz um grande esforço para coletar insetos, mas excetuando a Terra do Fogo, jamais vi um país tão pobre nesse aspecto”, escreveu.

O novo estudo também insinua um papel maior do que o imaginado dos pássaros na polinização, trabalho geralmente dominado pelas abelhas.

“A polinização dos pássaros é importante para várias espécies nativas”, explicou Traveset.

Dave Kelly, biólogo da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia, que não participou do estudo, disse estar surgindo indícios de que algumas plantas estão em declínio em partes do mundo onde os pássaros polinizadores estão ameaçados.

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