Pecuarista desmata mais que madeireiro, diz estudo do Bird

Estudo do Banco Mundial (Bird) mostra que políticas de combate ao desmatamento na Amazônia deveriam ser focalizadas nos criadores de gado, e não nos madeireiros. Os pecuaristas são, segundo o Bird, responsáveis por mais de 75% dos cortes na floresta. Seu lucro supera o obtido por produtores de Tupã, cidade do interior paulista considerada um termômetro para a pecuária no Brasil.Enquanto um criador de gado de Ji-Paraná (RO) ou de Alta Floresta (MT) tem receita líquida anual superior a R$ 132 por hectare, um pecuarista de Tupã obtém R$ 65,32, de acordo com o Bird. Intensidade de chuvas, alta temperatura e escala de produção na Amazônia favorecem a pecuária.Os três Estados com maior índice de destruição da floresta ? Pará, Mato Grosso e Rondônia ? contribuíram para o crescimento de 100% do rebanho nacional. O relatório observa que as exportações de carne no País passaram de 350 mil toneladas em 1999 para 900 mil em 2002. ?A pecuária é altamente rentável, mas não quer dizer que seja desejável socialmente?, diz o responsável pelo estudo, economista Sergio Margulis.Custo maior que ganhoA atividade tem um alto custo ambiental e não é boa distribuidora de renda, diz o economista. Ele estima que os custos sociais dos desmatamentos girem em torno de US$ 100 por hectare ao ano (perto de R$ 300,00). O valor foi calculado comparando recursos ambientais perdidos com benefícios futuros que poderiam trazer para a população a partir da exploração madeireira, não madeireira, o ecoturismo, a bioprospecção e a estocagem de carbono.?Os custos do desmatamento são maiores do que os ganhos privados dos pecuaristas?, conclui Margulis. Os grandes e médios produtores de gado são os maiores responsáveis pelo desmatamento na Amazônia. Os pequenos proprietários, apontados com vilões da floresta em avaliações anteriores do governo federal, são identificados no estudo do Bird como ?fornecedores de mão-de-obra ou agentes intermediários que esquentam a posse da terra?. O estudo também identificou desinteresse dos pequenos produtores por atividades sustentáveis.Líder de desmatamentoO estudo do Bird já foi apresentado a ministros do governo Lula e a entidades ambientalistas. O documento, intitulado Causas do Desmatamento da Amazônia Brasileira, começou a ser produzido a partir da constatação de que o Brasil era o líder do ranking do desmatamento em 2000 entre 188 países e pelo potencial econômico da região.Segundo levantamentos do Banco Mundial, o Brasil desmatou 22.264 quilômetros quadrados de floresta, quase o dobro do segundo colocado, a Indonésia (13.124), e bem à frente do terceiro colocado, o Sudão (9.589). Já em 2002, a destruição da floresta subiu para 25.400 quilômetros quadrados, de acordo com dados oficiais do governo federal.

Agencia Estado,

14 de fevereiro de 2004 | 23h04

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