Peixe quase extinto se reproduz em cativeiro no Sul

Depois de praticamente extinto, o piracanjuba dá sinais de que pode voltar a povoar os rios. Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) anunciaram que uma fêmea do peixe desovou em cativeiro, em janeiro, pela primeira vez desde que começaram os esforços para salvar esta espécie, cuja pesca pode sustentar diversas comunidades.A equipe do Laboratório de Biologia e Cultivo de Peixes de Água Doce (Lapad), na Estação de Piscicultura de São Carlos (EpisCar), em Santa Catarina, precisou buscar exemplares no Rio Uruguai para então tentar a reprodução em cativeiro. Algumas décadas atrás, o Brycon orbignyanus era abundante nas bacias hidrográficas do Paraná, Paraguai e Uruguai, mas as populações diminuíram drasticamente por causa da poluição e outras ações do homem.?É difícil encontrar pescadores com menos de 40 anos que já tenham visto o piracanjuba?, disse à Agência Fapesp o coordenador do Lapad, Evoy Zaniboni Filho. Em 2002, a espécie foi citada na Lista Vermelha da Fauna Ameaçada de Extinção do Rio Grande do Sul. A população sobrevivente se concentrou em reservas ecológicas, como o Parque Estadual do Turvo, na divisa do Rio Grande do Sul com a Argentina. Naquele país, porém, a espécie é dada como desaparecida, assim como no Uruguai.Os trabalhos começaram em 1995, mas houve muita dificuldade para reunir exemplares em número suficiente. Em outubro passado, a equipe do Lapad conseguiu chegar à maturação dos animais, que foram submetidos a injeção de hormônio. O processo deu origem aos 15 mil alevinos existentes hoje. O trabalho tem apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Agencia Estado,

02 de março de 2004 | 16h08

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.