Divulgação
Divulgação

Pelo de poodle pode virar tecido, aponta pesquisa

Especialista da USP mostra que fios de poodle são semelhantes à lã de carneiro em relação à maciez, capacidade de receber corantes e isolamento térmico

Bárbara Ferreira Santos, O Estado de S.Paulo

17 Julho 2014 | 18h53

SÃO PAULO - O pelo de cães da raça poodle podem virar tecidos graças às características semelhantes à lã de carneiro, mostra a pesquisa de mestrado do engenheiro mecânico têxtil Renato Nogueirol Lobo, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP). Lobo criou um tecido composto de 50% de acrílico e 50% de poodle, com base em dez amostras do pelo de cães dessa raça recolhidas em dez pet shops da cidade. 

Segundo o pesquisador, a única diferença do pelo do poodle para o pelo da lã é o comprimento. Enquanto os pelos de poodle são fiáveis em fibra curta, entre 12 a 40 milímetros, as de carneiro são fiáveis em fibra longa, entre 40 a 80 milímetros, explica ele. 

Os testes feitos por Lobo mostraram que os fios de poodle são semelhantes à lã de carneiro em relação à maciez, capacidade de receber corantes, alongamento, absorção de líquido e isolamento térmico. “Um leigo não conseguiria diferenciar as fibras dos dois e mesmo um especialista teria de analisar em microscópio", diz.

Material para a fabricação deste tipo de tecido não falta no País, explica Lobo. "O Brasil tem 6 milhões de poodles." Segundo ele, para produzir uma tonelada do tecido, seriam necessários 600 quilos de pelo de poodle - quantidade obtida com a tosa de cerca de 800 animais. "Cada cão dessa raça dá cerca de 700g de pelo por tosa, em média. Os toy [menores cães da raça] podem deixar 200 gramas em uma tosa e os big (maiores) podem deixar até 1,2 quilo."

A ideia do pesquisador é que esse tecido seja usado para fazer roupas de animais. "Os pelos são esterelizados, não têm cheiro do animal, mas ainda existe muito preconceito para que a fabricação seja para roupa de humanos", afirma. "E as roupas para animais ainda são muito caras." 

O interesse nesse tipo de fio nasceu em uma conversa com uma aluna de iniciação científica em uma escola técnica na qual ele dá aula. "Ela trouxe três amostras de pelo do poodle dela e fizemos análises para comparar os tipos de fio." 

Com a pesquisa, ele conseguiu unir a vontade de trabalhar com produtos sustentáveis e reciclagem. "Hoje os pet shops são obrigados a pagar para despejar os pelos dos animais porque, embora não seja um lixo hospitalar, não é um lixo comum. A ideia é usar esse material, que viraria lixo, mas pode ser reaproveitado."

Enquanto faz a patente do produto, ele agora planeja parcerias com fabricantes de roupas ou pet shops. Além disso, quer montar, daqui a seis meses, uma cooperativa de catadores de pelo de poodle em pet shops. "A ideia é transformar lixo em luxo."

Mais conteúdo sobre:
Poodle Cachorro

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.