Penas de pássaros pré-históricos não serviam para voar

As penas eram frágeis demais para suportar o bater das asas, dizem especialistas

Associated Press

13 Maio 2010 | 17h50

Descobertas recentes em fósseis que mostram sinais de penas em alguns dos primeiros animais voadores, como o Archaeopteryx, causaram sensação no mundo arqueológico. Agora, surge a informação de que essas penas podem ter sido frágeis demais para uso em voo, sendo úteis apenas para planar.

 

Robert L. Nudds e Gareth J. Dyke dizem na edição desta semana da revista Science que a haste central das penas do Archaeopteryx e do Confuciusornis  eram muito mais delgadas que as hastes das penas dos pássaros atuais.

 

O Archaeopteryx viveu 145 milhões de anos atrás e o Confuciusornis veio depois, há 120 milhões danos.

 

Fóssil de Confuciusornis, pássaro pré-histórico de 120 milhões de anos. Divulgação/Science 

 

Infelizmente, os cientistas não podem dizer, pelos fósseis, se as hastes eram ocas, como nos pássaros modernos, ou sólidas. Se ocas, as hastes delgadas teriam se dobrado como um canudinho de refrigerante se os animais tentassem bater as asas com força, disse Nudds, da Universidade de Manchester e do University College Dublin.

 

"Se fossem sólidas, as penas teriam se quebrado", acrescentou.

 

"Não se pode excluir totalmente que houvesse algum tipo de geração de impulso nesses pássaros fósseis, mas o vigoroso bater de asas dos pássaros modernos sé extremamente improvável", concluem os pesquisadores.

 

Nudds disse que a pouca capacidade de voo sugere que os pássaros primitivos viviam em árvores e saltavam para planar até uma outra árvore. Se pousassem no solo, poderiam escalar e ganhar altura antes de saltar novamente.

 

"Se Archaeopteryx e Confuciusornis eram planadores arbóreos, como meus dados sugerem, então isso também sugere que o voo das aves começou nas árvores e não no chão", disse ele.

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