Pequenos gigantes da floresta

Imagine só: Se você juntasse todos os animais da floresta amazônica, vertebrados e invertebrados, e botasse numa balança, mais de um quarto do peso total seria de formigas e cupins. Quando alguém fala em diversidade biológica da Amazônia - "a maior biodiversidade do planeta" - quase todo mundo pensa imediatamente em macacos, onças e passarinhos. Inclusive eu. Alguns, mais desavisados, também imaginam leões, gorilas e elefantes, apesar desses animais só existirem em outros continentes. Mas quem manda na floresta, de verdade, são os insetos, em número e peso. Principalmente as formigas. Não só na Amazônia, mas no planeta todo. Nesse ponto, passo a palavra ao meu grande ídolo científico e literário E. O. Wilson, entomólogo, professor de biologia de Harvard há mais de cinco décadas, duas vezes ganhador do Prêmio Pulitzer, autor de vários livros fantásticos sobre biodiversidade e evolução, inventor da sociobiologia, especialista em formigas e talvez o maior naturalista vivo no mundo. Além de ser um velhinho muito simpático. Em um de seus livros mais recentes, A Criação, Wilson faz um apelo pela preservação da vida na Terra e por um acordo de paz entre cientistas e religiosos - que andaram brigando muito recentemente por causa dessa história de Evolução versus Criacionismo, ou Darwin versus Deus. O argumento central é que, seja lá quem foi que criou esse negócio todo, esse negócio todo está acabando e precisamos ter mais cuidado com ele. Ao descrever a biodiversidade do planeta, Wilson, como bom entomólogo, chama a atenção para a importância dos insetos. Com a palavra, Mr. Wilson*: "Merecem mais respeito essas coisinhas minúsculas que governam o mundo. (...) A diversidade dos insetos é a maior já documentada entre todos os organismos: em 2006, o número total de espécies classificadas era de cerca de 900 mil. O número verdadeiro, somando as espécies já conhecidas e as que ainda estão por conhecer, pode ultrapassar 10 milhões. A biomassa dos insetos é imensa: cerca de 1 milhão de trilhões de insetos estão vivos a qualquer momento. Só as formigas, que talvez totalizem 10 mil trilhões, pesam aproximadamente o mesmo que todos os 6,5 bilhões de seres humanos. (...) Será que alguém acredita que essas pequeninas criaturas existem apenas para preencher espaço?" "As pessoas precisam dos insetos para sobreviver, mas os insetos não precisam de nós. Se toda a humanidade desaparecesse amanhã, não teríamos, é provável, a extinção de uma única espécie de insetos (...). No entanto, se os insetos desaparecessem, o meio ambiente terrestre logo iria entrar em colapso e mergulhar no caos." Pense nisso a próxima vez que pisar numa formiga. LINKS:E. O. Wilson é o idealizador do projeto Enciclopédia da Vida, que tem como objetivo catalogar todas as formas de vida do planeta: http://www.eol.org/index Ele mantém também uma fundação para conservação e estudo da biodiversidade: http://www.eowilson.org/ * Tradução da Companhia das Letras, que lançou o livro recentemente no Brasil.

15 de maio de 2008 | 14h12

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