Pequenos projetos de sustentabilidade no cerrado recebem incentivo

Quinze pequenos projetos de uso sustentável dos recursos naturais do cerrado e promoção da qualidade de vida receberão financiamentos de incentivo, de até R$5 mil, do programa de Conservação e Manejo da Biodiversidade do Bioma Cerrado (CMBBC), uma parceria da Embrapa Cerrados, Universidade de Brasília e Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Os projetos são todos em comunidades tradicionais, que já contavam com apoio técnico de pesquisadores das três instituições, nos últimos dois anos.Os incentivos são patrocinados pelo Departamento para o Desenvolvimento Internacional (DFID) do governo britânico; (Finatec) e Agência Brasileira de Cooperação. Vinte e seis projetos concorreram a um total de R$ 100 mil. Todas as comunidades participantes estão na região conhecida como Paranã-Pirineus, no nordeste de Goiás, escolhida pela riqueza ambiental e por ter uma população extremamente pobre.Os três principais projetos são os da Agrovila Mambaí, no município de mesmo nome; da Comunidade de Extrema, em Simolândia, e do assentamento Belo Horizonte, em Guarani de Goiás. Segundo conta Cláudia Geanne da Silva Barros, da Embrapa Cerrados, responsável pelo planejamento sócio econômico dos projetos, na Agrovila de Mambaí, dez das 29 famílias estão iniciando o manejo de emas para corte, com certificação do Ibama. Numa segunda fase, elas devem passar também a aproveitar os ovos e as penas. Além disso, a comunidade trabalha com farmácias caseiras ? com plantas medicinais do cerrado ? e com o enriquecimento de quintais, onde se plantam frutas nativas, como o pequi, araticum e cagaita. E ainda fazem a alfabetização de jovens e adultos, tendo como linha mestra a educação ambiental. No assentamento Belo Horizonte, o mais distante, localizado a 450km de Brasília, alguns integrantes das 33 famílias locais estão se capacitando para manipular as plantas e constituir as farmácias caseiras, para atendimento da própria comunidade, sem comercialização. Existem também projetos, em estágio inicial, de criação de capivaras em cativeiro e de proteção das 12 nascentes, que correm para o Rio do Freio, principal fonte de abastecimento de água para a cidade de Guarani de Goiás.Em Extrema, são 30 famílias e o incentivo será destinado à ampliação da casa de farinha e construção de uma cozinha experimental, onde se possa beneficiar a amêndoa do baru ? consumida descascada e torrada, como o amendoim ? e o fruto da cagaita ? consumida como polpa congelada para sucos e sorvetes.?Queremos melhorar a percepção dessas comunidades tradicionais, do cerrado como um bem, que tem utilidade em pé, sem necessidade de desmatar?, diz Cláudia. ?E para isso precisamos melhorar a auto-estima desta população, valorizar seus produtos e ajudar na organização social, de forma que eles consigam montar uma unidade de negócios, com fornecimento confiável?. Além das três comunidades prioritárias, os outros projetos selecionados situam-se nos municípios de Buritinópolis, Damianópolis, Posse e Iaciara. O edital terá uma segunda chamada, ainda sem data definida, por que restaram mais de 40% dos recursos disponíveis, sem projeto.

Agencia Estado,

12 de novembro de 2003 | 18h38

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.