Perigo da maconha opõe governo britânico a cientistas

Demissão de pesquisador que criticou política mais dura de combate à droga causa revolta

Associated Press,

12 Novembro 2009 | 15h56

Qual o nível de perigo da maconha? Respostas divergentes a essa questão complexa levou a um confronto entre o governo britânico e cientistas.

 

Jornal dos EUA abre vaga para 'crítico de maconha'

 

Os políticos querem ver a maconha classificada como uma droga extremamente perigosa, mas cientistas dizem que o tabaco e o álcool representam um perigo maior para a saúde pública no Reino Unido.

 

A divergência levou o principal conselheiro científico do governo para a questão das drogas a perder o emprego e desencadeou uma rebelião de seus colegas, que acusam o primeiro-ministro Gordon Brown de ignorar informação científica para angariar popularidade.

 

"Há uma frustração enorme que tenhamos chegado a isso", disse Tracey Brown, diretora do Sense about Science, um grupo sem fins lucrativos que publicou uma carta aberta exigindo que o governo garanta liberdade de expressão aos cientistas.

 

O governo teve seu primeiro choque com a comunidade científica quando endureceu a política para a maconha em 2008, elevando-a à "categoria B", imediatamente abaixo de drogas pesadas como heroína, cocaína e LSD.

 

Isso reverteu a decisão, tomada quatro anos antes, de colocar a erva na "categoria C", junto com tranquilizantes e analgésicos.

 

Autoridades argumentaram que variações mais potentes da maconha podiam causar sérios problemas de saúde mental, e o primeiro-ministro chegou a se referir à droga como "letal".

 

Quando o presidente do grupo de aconselhamento científico de Brown, David Nutt, acusou as autoridades de distorcer as evidências, acabou demitido.

 

A decisão horrorizou os colegas de Nutt. Cinco outros cientistas demitiram-se em solidariedade, e alguns dos mais importantes cientistas do país assinaram a carta aberta do Sense about Science.

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