Perseguição religiosa afeta 200 milhões de cristãos

Estudo evidencia que em cerca de 60 países há graves violações contra a liberdade religiosa

Efe

23 de outubro de 2008 | 19h10

Atualmente, 200 milhões de cristãos sofrem perseguição religiosa no mundo todo e outros 150 milhões sofrem algum tipo de discriminação, restrição ou atentados, segundo afirmou nesta quinta-feira, 23, o diretor da Ajuda à Igreja Necessitada na Espanha (AIN), Javier Menéndez Ros. Menéndez Ros ofereceu estes dados durante uma entrevista coletiva para apresentar o relatório realizado pela AIN sobre a liberdade religiosa no mundo, editado anualmente em vários idiomas e que pela primeira vez, este ano, publicado em castelhano. O estudo, apresentado simultaneamente em várias capitais européias, é o único que realiza periodicamente uma instituição ou organização católica sobre esta questão, e evidencia que em cerca de 60 países há graves violações contra a liberdade religiosa. Entre estes países, estão a Índia, onde continuam os ataques e massacres contra os cristãos, e o Paquistão, onde a situação de direitos humanos e liberdade de culto piorou significativamente desde 2007, segundo os dados do relatório. Entre os países de Oriente Médio, o Egito conta com o maior número de cristãos, a maioria pertencentes à Igreja Copta Ortodoxa, e outros são membros de comunidades minoritárias como os católicos, armênios, greco-ortodoxos, greco-católicos, caldeus, maronitas e de rito latino. Tanto os cristãos como as minorias citadas foram vítimas de violência física e de humilhações. A situação na Eritréia é particularmente delicada, segundo o relatório. Em agosto de 2007, as autoridades ordenaram à Igreja Católica que entregasse ao Ministério de Seguridade Social e Trabalho todas as suas instituições e organizações sociais como colégios, hospitais, orfanatos e centros educativos para mulheres. Nesse país existem, além disso, segundo diversas fontes, pelo menos 2 mil pessoas na prisão por motivos religiosos. Segundo o estudo, a Arábia Saudita é o país islâmico onde a liberdade de culto é mais formalmente negada. O reino se define, lembra o relatório, como islâmico "fundamentalista", e considera o Corão como sua única Constituição e a Sharia sua legislação empresarial. No caso da Nigéria, entre os freqüentes atos de intolerância religiosa e discriminação, encontram-se os sofridos por várias comunidades cristãs presentes nos estados mais islamizados do Norte do país, quase sempre coincidindo com os 12 estados que introduziram a Sharia em sua legislação. O relatório também aborda a China, destacando que, durante a Olimpíada de Pequim, não aconteceu nenhuma mudança na norma em vigor para as atividades religiosas. O documento lembra a repressão que sofre a Igreja Católica extra-oficial e seus sacerdotes, assim como a perseguição de toda atividade que apóie o Tibete e o Dalai Lama, e as reuniões com crentes de comunidades clandestinas. No caso do Iraque, apesar das mudanças com a nova Constituição após a derrocada de Saddam Hussein, não existem garantias de que os cristãos possam permanecer e viver seguros.

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