Pescadores de Paraty contarão com energia solar

O Natal de 2002 será iluminado para as colônias de pescadores da região de Paraty, litoral sul do Rio de Janeiro. Isto porque, pela primeira vez, cerca de cem famílias das localidades de Pouso do Cajaíba, Ponta da Joatinga e Praia de Calhaus contarão com eletricidade, através de um sistema de energia solar. Atualmente, a única fonte de iluminação nos vilarejos são lamparinas e velas, mas o maior problema é a falta de um sistema de resfriamento, que obriga os pescadores a vender seus produtos a preços muito baixos.O projeto será implementado pela Atech - Fundação Aplicações de Tecnologias Críticas, com apoio da prefeitura de Paraty e da Secretaria de Estado de Energia da Indústria Naval e do Petróleo do Rio de Janeiro. Os recursos, estimados em R$ 1 milhão, serão viabilizados pela empresa El Paso Energy do Brasil.Cada casa receberá dois painéis fotovoltaicos. O programa prevê ainda a instalação de 30 postes de iluminação pública, além de três centrais de resfriamento, providas de geladeiras, de 460 litros, e freezers, de 550 litros. Estimativas da prefeitura indicam que os moradores da comunidade poderão economizar entre R% 50 e R$ 70 por mês, do gasto com querosene, óleo diesel e velas. Esses valores implicam em uma economia de quase 30% na renda mensal de cada família. Além disso, o pescado, principal atividade econômica da região, passará a ser congelado e comercializado a preços melhores.Uma equipe da Atech, uma fundação formada pelas empresas que desenvolvem o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), deve concluir até amanhã, o levantamento preliminar sobre as moradias. O objetivo é definir os locais onde serão instalados os painéis fotovoltaicos, que captam os raios solares e os transformam em energia elétrica. O programa de iluminação deverá estar concluído até o dia 20 de dezembro próximo.Segundo Pedro Luiz Scarpim, diretor da Atech, a Fundação fornecerá o treinamento para que os moradores estejam aptos a operar os equipamentos. Além disso, em parceria com a prefeitura, desenvolverá um programa de educação ambiental, que inclui a utilização da reciclagem do lixo como fonte de renda. Além de zelar pela manutenção de todo o maquinário, os moradores dos lugarejos terão o compromisso de preservar o meio ambiente e não comercializar nenhum dos equipamentos instalados.Para Scarpim, o programa de Paraty pode se transformar em um paradigma de solução energética, levando-o para regiões onde a falta de luz ainda é empecilho para o desenvolvimento das comunidades nativas.

Agencia Estado,

17 de outubro de 2002 | 14h16

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