Pesquisa aponta falhas na saúde bucal de jovens paulistas

Levantamento realizado por um grupo de Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), que pertence à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostra que a saúde bucal dos jovens paulistas poderia estar bem melhor. Do total de amostras analisadas, apenas 10% estavam totalmente livre das cáries.?A avaliação do índice de experiência em cárie mostra que 71% desses dentes com problemas já estão obturados, o que mostra acesso ao tratamento odontológico. Entretanto, detectamos um grupo que concentra grande parte da doença?, disse Maria da Luz de Souza, professora da FOP e principal autora do estudo.Nesse grupo específico, a média de dentes com experiência de cárie subiu para 12. ?No terço da população com os maiores índices do problema, verificou-se também haver acesso aos serviços odontológicos, por causa da alta porcentagem de dentes restaurados?, explicam os pesquisadores.Entretanto, como a análise mostrou a existência de uma alta porcentagem de dentes perdidos, o problema está longe de ser resolvido, segundo o estudo publicado nos Cadernos de Saúde Pública.Tratamento de qualidadeSegundo Maria da Luz, esse quadro revela dois pontos importantes. ?Muitas vezes faltam serviços públicos que ofereçam tratamento de qualidade. Além disso, a baixa renda da população impede a escolha. As pessoas acabam optando pelos métodos mais baratos de tratamento, que consistem na simples extração dos dentes afetados?, conta.A análise considerou 1.825 exames feitos dentro do programa ?Condições de Saúde Bucal no Estado de São Paulo?, de 2002 -, tratados a partir das informações sobre etnia dos indivíduos amostrados. ?O grupo de não-brancos apresenta maior porcentual de dentes cariados e perdidos?, aponta Maria da Luz. O mesmo vale para os homens quando comparados com as mulheres.Além da simples questão do acesso aos serviços odontológicos de qualidade, outros fatores que possam estar associados a essa maior ocorrência de cárie entre os negros estão sendo estudados pelos pesquisadores de Piracicaba.Água fluoretada?Outra informação importante, que ajuda todos os grupos, está relacionada com a fluoretação das águas de abastecimento público?, disse Maria da Luz. A pesquisa revelou que, em municípios com água fluoretada, a porcentagem da população livre de cáries foi maior que 10%, quase o dobro das demais cidades.Desde 1975, o flúor é considerado um componente essencial de programas de prevenção de cárie no Brasil. Há 30 anos existe uma lei que obriga todas as cidades a montar um sistema de fluoretação de água de abastecimento público. Mesmo assim, em muitos locais isso ainda não saiu do papel.Apesar de o estudo indicar com mais precisão onde estão as cáries entre os adolescentes paulistas, e que o problema existe em grande quantidade se comparado com outros países, Maria da Luz prefere uma análise otimista.?No geral, pode ser verificado uma melhora na saúde bucal dos adolescentes. No levantamento nacional, o grupo referente ao Sudeste apresentou em média 12 dentes com experiência de cárie. Agora, vimos que isso está reduzido pela metade?, disse.

Agencia Estado,

26 de setembro de 2005 | 12h36

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