Pesquisa busca quantificar pesca acidental de golfinhos

Convencer pescadores artesanais a comunicar a morte acidental de golfinhos em suas redes é o maior desafio de um projeto desenvolvido pelo Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar (CTTMar), da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Santa Catarina. Segundo o professor André Barreto, orientador do trabalho, os pescadores têm medo de dar as informações por temerem a fiscalização, já que a captura de cetáceos é proibida no Brasil desde 1987. Barreto explica que as atividades pesqueiras são a maior ameaça à conservação dos cetáceos no mundo. Por isso, a preocupação com com a pesca acidental de golfinhos deixou de ser apenas das indústrias pesqueiras, como no programa Dolphin Safe - criado por órgãos internacionais a fim de restringir a pesca de golfinhos em alto mar -, para incluir também a frota artesanal.Com apoio do CNPq e da Fundação O Boticário, o projeto do CTTMar está sendo implementado desde agosto de 2000, por estudantes do curso de Oceanografia, nos municípios de Penha, Balneário Camboriú e Barra Velha. ?Durante o primeiro ano dos trabalhos, os pescadores mal conversavam com as pesquisadoras, mas a partir de meados de 2001 passaram a informar os acidentes, embora ainda não tragam os animais?, conta Barreto. Como a maior incidência de golfinhos na costa catarinense é no inverno, o professor espera conseguir quantificar o problema a partir deste ano.?Somente com essa quantificação poderemos avaliar se a intensidade da captura acidental de mamíferos marinhos em Santa Catarina justifica a implantação de um manejo adequado das atividades da pesca?, diz. Entre as propostas possíveis estão a mudança nas malhas ou a instalação de alarmes nas redes. Paralelamente, uma campanha está sendo realizada para estimular o apoio dos pescadores.Com a campanha ?Pescador Amigo do Golfinho?, o projeto pretende distribuir material informativo para as colônias de pesca do Estado, para que seus membros contribuam na preservação das espécies capturadas por acidentes. Além disso, visa estimular a criação de um programa turístico na região, semelhante ao realizado com a Baleia Branca, no litoral sul do Estado, onde os pescadores artesanais atuam como guias turísticos para a contemplação das espécies marinhas.ToninhasSegundo Barreto, a espécie mais atingida pela pesca artesanal é provavelmente a toninha (Pontoporia blainvillei), encontrada entre o litoral da Argentina e do Espírito Santo, em uma profundidade de até 30 metros. ?Aparentemente essa é a espécie mais vulnerável a capturas em redes de emalhe, conforme comprovam pesquisas já realizadas no Rio Grande do Sul e no Paraná?, afirma.O pesquisador explica que ainda não se sabe o motivo da maior vulnerabilidade das toninhas. ?Entre as possibilidades estão o seu rosto comprido, o que facilitaria ficar enroscada às redes, ou um sonar menos desenvolvido?.

Agencia Estado,

04 de abril de 2002 | 12h48

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