Pesquisa cria alternativa para reciclagem do rejeito de siderúrgicas

O Brasil já tem alternativas para 5 milhões de toneladas de rejeitos produzidos anualmente nos alto-fornos de siderúrgicas. Para cada tonelada de aço produzida, as siderúrgicas brasileiras produzem cerca de 150kg da chamada escória de aciaria, uma mistura de silicatos de cálcio, óxido de silício, ferrita cálcica, magnésia e traços de numerosos outros minerais, que constituem impurezas.Este rejeito era acumulado nos pátios de siderúrgicas, formando montanhas, porém, de acordo com a legislação ambiental mais recente, agora devem ser embaladas em contêiners de concreto para evitar contaminação do solo e emissão de poeira. A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) produz, por ano, 750 mil toneladas do rejeito, resultante da conversão do ferro gusa em aço, necessitando um novo contêiner a cada 2 ou 2,5 meses. A Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) produz outras 1,2 milhão de toneladas. Apesar de não conter poluentes químicos, o material produz impactos ambientais na área de deposição.Nos últimos dois anos, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) trabalha com a CSN para encontrar uma alternativa de reciclagem deste rejeito, tendo desenvolvido um processo através do qual o material se torna inerte e pode ser usado na pavimentação de estradas e como lastro, no leito de ferrovias, passando a ser chamado de ?brita siderúrgica?. ?Primeiro estudamos as propriedades mecânicas do material para ver para o que serviria, depois desenvolvemos a melhor forma de torná-lo inerte?, diz Elson Longo do Centro Multidisplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC) da UFSCar, coordenador do projeto, que envolveu mais sete pesquisadores da universidade, um mestrando e dois estudantes de iniciação científica, além de dois pesquisadores da CSN. Segundo Longo, o rejeito sai líquido da aciaria e pode facilmente ser transformado em pellets do tamanho de pedras de brita, passando, em seguida, por um tratamento com água, para ficar inerte. ?O maior problema é que a mistura de óxido de cálcio e magnésia tende a se expandir quando chove, por isso o tratamento com água?, afirma o pesquisador. Seria o equivalente ao pré-encolhimento de tecidos, antes da confecção de roupas: o rejeito precisa ser expandido antes de ser usado, para evitar problemas posteriores de movimentação, nas estradas ou ferrovias. ?No caso de ser usado como lastro no leito de ferrovias, ainda foi particularmente importante assegurar, que o material tivesse baixa condutividade, para evitar acidentes com fagulhas, quando as cargas são inflamáveis?, diz Elson Longo. ?Por falta de cuidado com o material usado como lastro já ocorreram acidentes, com incêndio das cargas?.O processo de reciclagem já está com pedido de patente requerida, mas deverá ser franqueado a outras siderúrgicas. O investimento da CSN na pesquisa foi de R$ 82,8 mil, em 2 anos, incluindo bolsas de estudo e recursos para o laboratório. A brita siderúrgica atende às especificações estabelecidas pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) para pavimento rodoviário e da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para lastro ferroviário. Agora a equipe deve buscar a certificação, para transformar o rejeito em co-produto, agregando valor e ampliando a comercialização.O desenvolvimento da brita siderúrgica recebeu o Prêmio "CST Aciaria ? Companhia Siderúrgica de Tubarão?, durante o 57º Congresso Anual da Associação Brasileira de Metais (ABM), realizado em julho. A própria CST, que premiou a pesquisa, também vem testando outras alternativas para reciclagem da escória de aciaria, como a mistura ao concreto, na construção de peças de quebra-mar. Os primeiros testes foram feitos por engenheiros mecânicos da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), conforme noticiado pela empresa, que agora aguarda a avaliação técnica.

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