Pesquisa genômica pretende melhorar produção de camarão

Depois de um cardápio indigesto de bactérias, parasitas, pragas agrícolas e células cancerígenas, a atenção da pesquisa genômica nacional volta-se para um organismo mais simpático e suculento: o camarão. Uma rede de 14 laboratórios em 8 Estados já está trabalhando no seqüenciamento genético do Litopenaeus vannamei, ou camarão-branco, que corresponde a um terço da pauta de exportação de pescado brasileiro.Originária do Pacífico, a espécie é produzida em tanques de carcinicultura, principalmente no Nordeste. Com a pesquisa genômica, cientistas e indústria esperam descobrir genes de interesse para otimizar a produção.Coordenado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o projeto vai aproveitar a infra-estrutura de pesquisa construída pelos projetos de genoma passados, o que elimina o custo da compra de equipamentos. A primeira fase do trabalho, orçada em R$ 400 mil, já tem financiamento aprovado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).O projeto completo deve custar R$ 3 milhões. Participam institutos no Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.O genoma do L. vannamei é formado por 2 bilhões de pares de bases, cerca de dois terços do tamanho do genoma humano, segundo o pesquisador Pedro Manoel Galetti Júnior, coordenador do projeto no Departamento de Genética e Evolução da UFSCar.Em vez de fazer o seqüenciamento completo, base por base, os cientistas vão identificar e decifrar apenas as partes ativas do genoma - ou seja, aquelas que contêm os genes. São as seqüências expressas, ou ESTs. A meta inicial é mapear 300 mil ESTs, nas quais espera-se encontrar 50 mil genes.Além do seqüenciamento, os pesquisadores estudarão a função de cada gene, determinando tanto estrutura quanto funcionamento do genoma. "O projeto foi desenhado para realizar os dois trabalhos paralelamente", afirma Galetti. "Não vamos esperar seqüenciar tudo para fazer os estudos de expressão." Os genes que mais interessam são os de desenvolvimento e resistência a patógenos, principalmente vírus.O Brasil é o oitavo produtor mundial de camarão em cativeiro e o L. vannamei representa quase que 100% da produção. No ano passado, até novembro, o País exportou 34 mil toneladas do crustáceo, no valor de US$ 142 milhões, segundo dados da Associação Brasileira de Criadores de Camarão.

Agencia Estado,

30 de janeiro de 2003 | 21h55

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