Pesquisa inédita descobre ‘rota’ de tumores

Técnica utiliza pequena molécula para bloquear um passo-chave no mecanismo conhecido como 'alongamento alternativo dos telômeros'

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

16 Janeiro 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Um grupo de pesquisadores americanos identificou, pela primeira vez, um potencial tratamento com foco em um mecanismo que alguns tipos de câncer especialmente agressivos usam para manter sua capacidade de proliferação. 

A técnica inédita, descrita hoje na revista Science, utiliza uma pequena molécula para bloquear um passo-chave no mecanismo conhecido como “alongamento alternativo dos telômeros” (ALT, na sigla em inglês) e, com isso, inibir o crescimento e a sobrevivência de células dos tumores que se proliferam a partir da chamada “rota ALT”. Entre esse tumores estão o osteosarcoma, o glioblastoma e certos tumores pancreáticos. 

De acordo com os autores, do Hospital do Câncer de Massachusetts e da Escola de Medicina da Universidade de Boston (Estados Unidos), as células normais têm um processo de envelhecimento e morte que as células tumorais são capazes de contornar. “Para fazer isso, a maior parte das células cancerosas utiliza uma enzima, a telomerase. Mas certos tipos de células câncer usam a rota ALT para ‘driblar’ a morte celular e se reproduzir indefinidamente, gerando os tumores. 

Nossa descoberta poderá fornecer uma nova direção para o tratamento dos tipos de câncer que usam a rota ALT”, explicou Lee Zou, um dos autores do estudo.

Papel central. Os cientistas estudaram como a ação de diversas proteínas-chave é alterada nas células cancerosas que usam a rota ALT. A partir daí, eles constataram que uma proteína chamada ATR tem um papel central na regulação da rota ALT. Eles descobriram então que dois inibidores de ATR eram capazes de eliminar de forma seletiva as células de tumores osteosarcoma e glioblastoma, comprometendo sua capacidade de escapar da morte celular.

De acordo com Rachel Flynn, outra das autoras, o estudo mostra que inibir a enzima ATR pode ser uma nova e importante estratégia para o tratamento desses tipos de câncer. “Essa característica tem potencial para minimizar os efeitos colaterais das terapias tradicionais.

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