Pesquisa levanta mais dúvidas sobre clonagem

Se para o público, o sucesso da clonagem humana é fascinante, para os cientistas o mais intrigante é o que não deu certo. Fracassaram todas as tentativas de clonar células adultas masculinas e todas as experiências em que o óvulo e a célula de cúmulo (célula adulta que cerca o gameta feminino) não vieram da mesma doadora.?Sabemos que as células de cúmulo são fáceis de reprogramar, mas não sabemos o motivo nem se o método funcionaria se fossem usadas células da pele ou de outra parte do corpo?, afirma, em entrevista ao Estado, o pesquisador George Daley, da Harvard Medical School. Daley e sua equipe foram os primeiros a combinar clonagem e terapia gênica em camundongos.Célula-tronco adultaA despeito do sucesso dos sul-coreanos, clonar células adultas e produzir um embrião não é fácil. O DNA da célula adulta tem de ser reprogramado, para funcionar como as células do embrião.Ficaria, então, mais fácil obter clones se o DNA viesse de uma célula-tronco adulta? ?Essa é a pergunta mais interessante que a pesquisa tem a responder no momento. Células-tronco adultas são mais primitivas, com potencial maior, e seria mais fácil para elas reprogramar seu DNA, mas isso ainda precisa ser provado?, diz.Posições dos governosSegundo Daley, a pesquisa de Moon e Hwang deveria fazer os governos americano e de outros países rever posições sobre as pesquisas com embriões. ?Não há consenso sobre a questão, mas vivemos em sociedades pluralistas e o respeito pela separação entre Estado e Igreja deveria fazer a pesquisa ser liberada?, afirma.O risco de proibir a clonagem terapêutica é grande. ?A pesquisa está nos estágios iniciais e não deve dar grandes lucros para a indústria no futuro próximo. Mas, nas próximas décadas, deve dar origem a terapias revolucionárias.? leia também ?Ficamos com a glória, não com o dinheiro?

Agencia Estado,

18 de fevereiro de 2004 | 12h32

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